ENTREVISTA-Economia brasileira seguirá em "banho-maria" até 2019, diz Nelson Marconi

segunda-feira, 29 de maio de 2017 15:44 BRT
 

Por Luiz Guilherme Gerbelli

SÃO PAULO (Reuters) - A economia brasileira vai ficar estagnada até 2019, quando um novo presidente da República deve assumir o cargo e terá condições e força política para implementar mudanças capazes de fazer o Brasil crescer de forma mais robusta novamente.

A opinião é do professor da Fundação Getulio Vargas (FGV) e presidente da Associação Keynesiana Brasileira, Nelson Marconi, para quem o presidente Michel Temer não conseguirá se manter em seu cargo até o final do mandato, em 2018. E mesmo quem o substituir, acrescentou, não conseguirá andar com as reformas e colocar o país em rota de crescimento.

"A economia vai ficar em banho-maria", afirmou Marconi à Reuters. "A economia brasileira deve se comportar mais ou menos como o último ano do governo (José) Sarney (presidente entre 1985 e 1990), só que sem a hiperinflação, quando todo mundo esperava o resultado da eleição de 1989", acrescentou.

Marconi, que também é coordenador do Fórum de Economia da FGV, que reúne anualmente importantes economistas e integrantes da equipe econômica, acredita que, se a troca de Temer se confirmar, a equipe econômica deve ser mantida, mas não terá força política para aprovar a agenda de reformas diante da proximidade do pleito no próximo ano.

A principal delas, a da Previdência, é considerada fundamental para colocar as contas públicas em ordem e tem grande apoio do mercado financeiro.

O governo sempre vendeu a reforma da Previdência como peça-chave para a retomada do crescimento, mas diante do impasse político, avalia o Marconi, vai ser obrigado a alterar o discurso de que, mesmo sem ela, o Brasil pode crescer.

"Nesses dias, Meirelles já disse que atrasar a reforma da Previdência não seria nada de outro mundo. Vai ser difícil, mas vão ter de mudar o discurso", disse ele, referindo-se ao ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. [nL1N1IO0R1]

Temer corre o risco de perder seu mandato depois de delações de executivos do grupo J&F, levando o Supremo Tribubal Federal (STF) a abrir inquérito contra o presidente por crimes, entre outros, de corrupção passiva.   Continuação...