Crise política afeta economia em 2018, com juros caindo menos e dólar mais alto, dizem analistas

segunda-feira, 12 de junho de 2017 18:20 BRT
 

Por Luiz Guilherme Gerbelli

SÃO PAULO (Reuters) - A crise política que abala o governo Michel Temer vai afetar de maneira mais intensa o desempenho econômico do Brasil em 2018, com crescimento mais fraco do que o esperado, basicamente por causa da expectativa de dólar mais caro e queda menor dos juros.

E esse cenário, segundo analistas ouvidos pela Reuters, vai impactar praticamente todos os setores, como indústria, serviços e até investimentos, essencial para impulsionar a economia.

"O processo de recuperação da economia brasileira será lento e não ocorrerá na velocidade esperada", afirmou o pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia, da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV), Julio Mereb, para quem o Produto Interno Bruto (PIB) vai crescer 1,8 por cento em 2018, abaixo da estimativa anterior de 2,5 por cento.

No cenário de mais pessimismo traçado pelo Ibre, no ano que vem, a expansão da indústria será de 2,4 por cento e de serviços, de 1,2 por cento. Até então, as previsões eram de crescimento de 2,8 e 1,8 por cento, respectivamente.

A crise política eclodiu em meados de maio, após Temer ser atingido pela delação de executivos do grupo J&F e que acabou levando-o a ser investigado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por crime, entre outros, de corrupção passiva.

A principal dúvida dos agentes econômicos é se o governo, enfraquecido politicamente, vai ter condições de levar adiante no Congresso Nacional reformas importantes, como a da Previdência, essencial para colocar as contas públicas em ordem.

De forma geral, os especialistas acreditam que a reforma previdenciária vai passar, mas atrasada e ainda mais desidratada do que a versão original do governo, o que acabará deixando para o governo que será eleito no próximo ano ajustar as contas.

"A taxa de juros também foi afetada pela crise política", acrescentou o economista da consultoria 4E Bruno Lavieri, ressaltando que reduziu a expectativa de crescimento para 2018 a 1,2 por cento, ante de 2 por cento.   Continuação...

 
REUTERS/Ricardo Moraes