Setor de seguros cai forte em abril e indica volatilidade, diz CNSeg

terça-feira, 13 de junho de 2017 15:41 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - A indústria brasileira de seguros deve ter bastante volatilidade ao longo de 2017, após os números de abril apontarem uma forte reversão de tendência, disse o presidente da entidade do setor, CNseg, Marcio Coriolano.

De acordo com números do órgão regulador Susep, o volume de prêmios emitidos pelo setor caiu 8,8 por cento em abril contra mesmo mês de 2016. Isso depois de o segmento ter tido leituras positivas nos três meses anteriores, o que havia levado a uma alta de 13,9 por cento ante o primeiro trimestre de 2016.

Com a forte reversão de abril, o acumulado dos primeiros quatro meses ainda tem alta de 8,8 por cento ante mesmo intervalo do ano passado, mas comprometeu a previsão anterior de crescimento sustentado em 2017.

"Não há como indicar tendências firmes para o nosso mercado", disse Coriolano à Reuters.

Entre os destaques negativos de abril no segmento elementares apareceram o de automóveis (queda de 3,6 por cento) e rural (queda de 9,4 por cento). O segmento de Pessoas teve queda de 6,7 por cento, com destaque para VGBL (-11,9 por cento). O seguro de vida individual, que vinha crescendo a uma taxa de dois dígitos, cresceu 9,7 por cento contra abril de 2016.

Para Coriolano, possíveis motivadores dessa reversão podem incluir o recrudescimento da crise política e o redirecionamento de parte da renda das famílias para consumo.

O executivo citou como exemplo o dado divulgado nesta terça-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostrando que as vendas no varejo surpreendentemente tiveram em abril a maior alta para o mês em nove anos, com forte impulso dos setores de supermercados e vestuário destacando a trajetória irregular da recuperação da economia.

Além disso, disse Coriolano, as seguradoras têm mostrado uma postura ainda mais conservadora, preferindo assumir menos riscos para manter a sinistralidade em níveis controlados.

"O mercado está cada vez mais conservador", disse ele.   Continuação...