Área técnica do governo busca alternativa para antecipar privatização da Infraero

terça-feira, 13 de junho de 2017 17:54 BRT
 

Por Rodrigo Viga Gaier

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A área técnica do governo federal busca uma alternativa para antecipar para o próximo ano a privatização da Infraero, uma vez que a proposta desenhada encontra resistência de ministros, por prever a conclusão do processo somente em 2019, após o término do governo de Michel Temer, disse uma fonte do governo com conhecimento do assunto .

"O problema hoje não é o conceito, mas o timing para aplicar a ideia", afirmou uma fonte após reunião com ministros de quatro pastas envolvidas na discussão sobre a privatização da Infraero.

Um estudo para a privatização da Infraero, apresentado por equipes técnicas do governo, prevê o fatiamento geográfico da estatal em seis empresas, sendo que quem arrematar um bloco levaria tanto os terminais rentáveis de um determinada região quanto aqueles de menor retorno. A ideia dividir a Infraero foi confirmada à Reuters pelo ministro dos Transportes na semana passada.

A estimativa inicial da área técnica é que o processo de privatização poderia movimentar cerca de 50 bilhões de reais, sendo 14 bilhões de reais em outorgas e o restante em tributos (19 bilhões de reais) e investimentos (17 bilhões de reais).

O problema, de acordo com a fonte, é que a estruturação desse modelo e as privatizações só seriam viabilizados em 2019, ou seja, após o término do governo do presidente Michel Temer, em dezembro de 2018.

A área política entende que um prazo tão longo cria um ônus muito grande para a imagem do presidente Temer.

"Os técnicos de Fazenda, Planejamento, PPI (Programa de Parcerias de Investimentos), Secretaria-Geral da Presidência e de Transportes entendem que a melhor decisão é a desestatização da Infraero com a cisão da empresa, o fatiamento em seis blocos", disse a fonte.

"O problema é que o processo de extinção da Infraero vai até o primeiro semestre de 2019. Os ministros das quatro áreas, Maurício Quintella (Transportes), Moreira Franco (Secretaria-Geral), Eliseu Padilha (Casa Civil) e Dyogo Oliveira (Planejamento), disseram que o governo Temer só vai apanhar e o resultado vem para o outro governo", adicionou.   Continuação...