Cadeia da carne no país levará ao menos 18 meses para se reestruturar, diz gestora TCP

segunda-feira, 19 de junho de 2017 19:17 BRT
 

Por Roberto Samora

SÃO PAULO (Reuters) - A cadeia produtiva da carne bovina no Brasil, afetada por preços baixos do gado, endividamento crescente, aumento na ociosidade e notícias como a delação da cúpula da JBS, levará ao menos um ano e meio para se reestruturar, avaliou nesta segunda-feira a TCP Latam, companhia especializada em reestruturação de empresas.

A conclusão da TCP Latam foi obtida após pesquisa junto a pecuaristas, frigoríficos, transportadores, curtumes e fabricantes de insumos como ração e medicamentos, e dá uma ideia do período de dificuldades que coloca em xeque o setor líder na exportação global de carne bovina.

"A cadeia produtiva como um todo está desordenada, o setor está passando por um estresse, e o estresse vai ser mitigado nos próximos 18 meses, com um reordenamento da oferta e demanda... E nesse processo os frigoríficos médios e pequenos vão ter um papel importante", disse à Reuters o diretor de Investimentos e Estudos Econômicos da TCP Latam, Ricardo Jacomassi.

No processo de reestruturação, no entanto, seria necessário um apoio governamental aos pequenos e médios frigoríficos que sofrem com custos elevados de capital de giro, disse o diretor da gestora de reestruturação de empresas, sem entrar em detalhes sobre qual instrumento o governo poderia utilizar no auxílio.

"Conversei com quase uma dezena de frigoríficos em Mato Grosso, eles não têm linha (de financiamento) e as linhas existentes estão muito caras."

Enquanto a gigante JBS sofre as consequências de incertezas geradas pela delação de sua cúpula, que envolveu o presidente Michel Temer e importantes políticos --muitos pecuaristas têm evitado vender ao frigorífico--, por outro lado outras empresas grandes como Marfrig e Minerva podem se beneficiar de uma situação de preços mais baixos da arroba bovina.

As companhias de maior porte poderiam reabrir unidades que estavam fechadas, numa tentativa de preencher um vácuo deixado pela JBS, como já aconteceu com a Minerva.[nL1N1JA20Q]

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Funcionário carrega carne em açougue em São Paulo
10/10/2014 REUTERS/Nacho Doce