GranBio inaugura produção comercial de etanol de 2ª geração no Brasil

quarta-feira, 24 de setembro de 2014 15:43 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - A empresa brasileira GranBio começou a produzir etanol de segunda geração usando celulose de biomassa de cana-de-açúcar em Alagoas, inaugurando uma era que poderá transformar a indústria de biocombustíveis no Brasil.

A unidade Bioflex 1, situada em São Miguel dos Campos, é a primeira usina de etanol de segunda geração a produzir em escala comercial no Hemisfério Sul, segundo a empresa.

O sistema usa como matéria-prima preponderantemente a palha da cana-de-açúcar, um subproduto da colheita praticamente sem valor e uso até então. Neste processo, mais moderno, são usadas enzimas para quebrar as cadeias da celulose da cana. No sistema tradicional, o etanol é produzido a partir do caldo da cana.

A fábrica custou 190 milhões de dólares, tendo sido construída em grande parte com financiamentos de Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que emprestou 300 milhões de reais para o empreendimento.

"É uma marco histórico não só para a GranBio, mas também para o Brasil, nós anunciamos um projeto inovador, transformador para a indústria de biocombustíveis...", disse nesta quarta-feira o presidente da companhia, Bernardo Gradin, em teleconferência de imprensa.

O Brasil (segundo produtor global de etanol atrás dos Estados Unidos) tem potencial de aumentar em 50 por cento a produção do biocombustível apenas com uso de palha e bagaço, sem necessidade de ampliação de canaviais, frisou a GranBio.

A produção brasileira de etanol deve atingir 27,6 bilhões de litros na temporada atual, segundo previsão do governo.

Esse aumento ainda seria em um processo de produção menos poluente.

O etanol de segunda geração da GranBio é o combustível produzido em escala comercial "mais limpo do mundo em intensidade de carbono", disse a empresa, ressaltando ter comprovação do Air Resources Board (ARB), da Califórnia.   Continuação...