CENÁRIOS-Geradoras querem alternativas para redução de gasto por déficit hídrico

sexta-feira, 26 de setembro de 2014 18:43 BRT
 

Por Anna Flávia Rochas

SÃO PAULO (Reuters) - Associações que representam geradoras de hidreletricidade esperam concluir em breve propostas e estratégias para evitar que continuem sendo penalizadas com os altos gastos relacionados ao déficit da geração hidrelétrica.

As geradoras consideram que nem todos os fatores que levaram à elevação de seus custos de curto prazo pela redução da geração hidrelétrica são de sua responsabilidade, ao contrário do que dizem representantes do governo federal, de que trata-se de um risco do negócio dessas empresas.

Ainda há dúvidas entre as hidrelétricas sobre quais os aspectos que não devem ser considerados como risco do negócio, mas, no geral, concordam que não devem ser penalizadas pelo acionamento das térmicas fora da ordem de mérito. Esse acionamento é definido pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) para dar mais segurança ao sistema, sem respeitar a ordem de mérito de custo, das usinas mais baratas para as mais caras.

A Associação dos Produtores Independentes de Energia Elétrica (Apine) levará proposta para aprovação de seus associados na semana que vem. O presidente da entidade, Luiz Fernando Vianna, disse que um dos principais pontos da proposta é isentar as geradoras do impacto que a geração das térmicas fora da ordem de mérito tem nos gastos com a redução da geração hidrelétrica. Segundo ele, somente esse item representa de 20 a 30 por cento dos gastos por risco hidrológico das geradoras.

"O detalhamento do mecanismo de como fazer isso é o que a gente está fechando ainda", disse ele nesta semana.

A forte estiagem levou o ONS a poupar reservatórios por meio da diminuição da geração hídrica, obrigando as hidrelétricas a arcarem com custo de energia de curto prazo para compensar menor geração hidrelétrica.

Cálculos do setor são de que os gastos com o déficit das hidrelétricas sejam de 20 bilhões a 40 bilhões de reais no biênio 2014/15, a depender do patamar do preço de energia de curto prazo (Preço de Liquidação de Diferenças-PLD).

O presidente da Associação Brasileira das Empresas Geradoras de Energia (Abrage), Flávio Neiva, disse que a associação irá acompanhar a Apine.   Continuação...