CENÁRIOS-Queda de preços das commodities desafiará saldo comercial brasileiro em 2015

sexta-feira, 26 de setembro de 2014 18:51 BRT
 

Por Roberto Samora

SÃO PAULO (Reuters) - Um ciclo de superoferta dos principais produtos exportados pelo Brasil, como soja e minério de ferro, provocará uma derrocada dos preços dessas commodities no ano que vem, afetando o saldo comercial do país com implicações para o próximo governo.

As exportações brasileiras de minério de ferro, soja e farelo de soja somam no ano, até o final de agosto, cerca de 44,5 bilhões de dólares, ou quase 30 por cento do total exportado pelo país no período. Mas esta situação deverá mudar profundamente em 2015, considerando a expectativa de queda dos preços médios dessas commodities no ano de 10 a quase 30 por cento em relação a 2014.

O efeito da superoferta --gerada pela safra recorde norte-americana de grãos e pela grande expansão da produção das três maiores mineradoras globais, incluindo a Vale-- deverá ser agravado pela saída de investidores de mercados futuros de matérias-primas em busca de maiores lucros em outros ativos, como os dos títulos públicos dos EUA.

"Vai ser ano de surpresas não boas, qualquer que seja o governo. E isso estamos falando sem crise (internacional), se houver uma crise, o cenário piora muito", disse o presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro.

Citando dados da associação da indústria de soja (Abiove) divulgados esta semana, de recuo de 6 bilhões de dólares nos embarques do grão, farelo e óleo, e projeções de queda dos preços do minério de ferro no ano que vem, Castro avalia que o valor das exportações brasileiras poderá cair cerca de 8 bilhões de dólares no próximo ano, considerando apenas esses dois produtos.

A baixa dos preços das commodities agrícolas ainda poderá causar redução das exportações de outros produtos, como os manufaturados. Isso porque a Argentina, um dos principais parceiros comerciais brasileiros e grande exportador agrícola, deverá importar menos por conta da receita agrícola menor.

Esse efeito indireto, segundo o dirigente da AEB, representaria 2 bilhões de dólares a menos de exportações brasileiras para o país vizinho.

"Se consideramos que as exportações devem cair 13 (bilhões de dólares) este ano (ante 2013) e mais 10 (bilhões) ano que vem, estamos andando para trás, como um siri", afirmou o presidente da AEB.   Continuação...