BC vê PIB crescendo menos neste ano, com inflação elevada

segunda-feira, 29 de setembro de 2014 14:55 BRT
 

Por Patrícia Duarte e Luciana Otoni

SÃO PAULO/BRASÍLIA (Reuters) - Ao mesmo tempo em que vê a economia crescendo menos neste ano, o Banco Central manteve seu cenário de inflação pressionada e próxima do teto da meta oficial, indicando que não deve mudar a Selic tão cedo, mas acabou abrindo uma pequena fresta para nova alta dos juros básicos no futuro caso seja necessário.

Ao apresentar o Relatório Trimestral de Inflação nesta segunda-feira, o diretor de Política Econômica do BC, Carlos Hamilton de Araújo, disse que, se o cenário de preços exigir, o BC voltará a subir a Selic, atualmente em 11 por cento ao ano.

"O Banco Central disse implicitamente e eu repeti explicitamente que isso (alta dos juros) não está descartado", disse o diretor a jornalistas. "Se o cenário para a inflação exigir, a política monetária deve ser e será acionada tempestivamente".

Para este ano, a autoridade monetária calcula que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro será de 0,7 por cento, ante 1,6 por cento calculado até então.

Uma das principais variáveis para essa piora foi a conta de investimento. Agora, o BC vê que a Formação Bruta de Capital Fixo vai recuar 6,5 por cento neste ano, sobre a queda de 2,4 por cento calculada antes, "consistente com os resultados do segundo trimestre e com o recuo dos índices de confiança nas sondagens do consumidor e da indústria", explicou o BC.

Para a indústria, o BC vê agora retração de 1,6 por cento, ante 0,4 por cento.

Pelo Focus, os economistas consultados pelo BC veem que a economia brasileira como um todo avançará 0,29 por cento neste ano, acelerando a 1,01 por cento em 2015.

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Fachada da sede do Banco Central, em Brasília. 15/01/2014.  REUTERS/Ueslei Marcelino