BC vê PIB crescendo 0,7% neste ano e inflação perto do teto da meta

segunda-feira, 29 de setembro de 2014 09:27 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - Ao mesmo tempo em que vê a economia crescendo menos neste ano, o Banco Central praticamente manteve seu cenário de inflação pressionada e próxima do teto da meta oficial, sinalizando que não deve mexer na taxa básica de juros tão cedo.

Para este ano, a autoridade monetária calcula que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro será de 0,7 por cento, ante 1,6 por cento calculado até então, segundo seu Relatório Trimestral de Inflação divulgado nesta segunda-feira.

E a recuperação tende a ser comedida. Em 12 meses até o segundo trimestre de 2015, a estimativa do BC é de que a atividade cresça 1,2 por cento.

Para o IPCA, o BC reduziu ligeiramente sua projeção para este ano, com alta de 6,3 por cento pelo cenário de referência, ante 6,4 por cento. A meta oficial é de 4,5 por cento, com margem de dois pontos percentuais para mais ou menos.

O BC vê ainda alta de 5,8 por cento do índice em 2015, um pouco acima da projeção anterior (5,7 por cento), recuando para 5 por cento no terceiro trimestre de 2016.

"O Comitê reafirma sua visão de que, mantidas as condições monetárias --isto é, levando em conta estratégia que não contempla redução do instrumento de política monetária--, a inflação tende a entrar em trajetória de convergência para a meta nos trimestres finais do horizonte de projeção", escreveu o BC no relatório, repetindo a visão que já havia sido colocada em ata do Comitê de Política Monetária (Copom) e que levou boa parte dos especialistas a entender que a autoridade monetária não quer elevar a Selic para não prejudicar a economia.

Depois de adotar um ciclo de aperto monetário que durou um ano e levou a Selic para o atual patamar de 11 por cento ao ano, desde maio passado o BC não mexe na taxa básica de juros.

Na última ata do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada no dia 11 passado, o BC passou a ver que a inflação não é mais "resistente", mantendo a visão no relatório divulgado mais cedo.

A aposta generalizada dos agentes econômicos é de que o BC não muda a taxa de juros pelo menos até o fim de 2014. Em 12 meses até agosto, último dado disponível, o IPCA havia estourado o teto do objetivo, com alta acumulada de 6,51 por cento.

"Apesar de a inflação ainda se encontrar elevada, pressões inflacionárias ora presentes na economia... tendem a arrefecer ou, até mesmo, a se esgotar ao longo do horizonte relevante para a política monetária. Em prazos mais curtos, some-se a isso o deslocamento do hiato do produto para o campo desinflacionário", afirmou o BC pelo relatório.

(Por Patrícia Duarte)