CCEE diz que leilão de energia A-1 pode ocorrer neste ano; 2015 terá desafios

segunda-feira, 29 de setembro de 2014 16:15 BRT
 

Por Anna Flávia Rochas

SÃO PAULO (Reuters) - O presidente do Conselho de Administração da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), Luiz Eduardo Barata, disse nesta segunda-feira que o governo federal deverá realizar um leilão A-1 neste ano para ajudar a cobrir a necessidade de energia das distribuidoras no ano que vem.

Barata, no entanto, admitiu que apenas o leilão A-1 nos moldes como ocorre hoje pode não resolver o problema das distribuidoras no ano que vem, já que elas terão uma necessidade alta de contratação de energia no primeiro semestre, mas podem ficar sobrecontratadas na segunda metade do ano.

Tal situação poderia ocorrer porque o prazo de contratação do leilão A-1 é de um ano e, apesar de as distribuidoras precisarem de 4.200 megawatts médios na primeira metade do ano, conforme afirmam agentes de mercado, na segunda metade do ano esse volume de energia poderia deixá-las com sobra. Isso porque, em meados de 2015, fica disponível a maior parte da energia das cotas das concessões que vencem ano que vem e que serão distribuídas a essas concessionárias.

"O A-1 sozinho não resolveria porque se você contratasse para o ano inteiro elas teriam sobrecontratação no final do ano.

"Então, terá que ser uma solução melhor elaborada. Qual seria, eu não sei", disse Barata a jornalistas nesta segunda-feira.

Barata disse ainda que a CCEE não trabalha com a possibilidade de empréstimos no ano que vem. Embora tenha admitido que o ano de 2015 será de desafios para a CCEE, Barata disse que não vê repetição do que ocorre em 2014.

Em 2014, a falta de chuvas elevou os preços de energia de curto prazo, com o acionamento de térmicas mais caras, enquanto as distribuidoras descontratadas tiveram que arcar com fortes gastos no mercado de energia de curto prazo para atender a demanda. Para ajudar as distribuidoras a enfrentarem os custos mais altos, a CCEE fez dois empréstimos no valor total de quase 18 bilhões de reais.

"Os problemas não acabam com as eleições... A nossa expectativa no ano que vem é que vamos continuar a administrar problemas bastante parecidos",   Continuação...