Dólar dispara a níveis de 2008 com avanço de Dilma em pesquisa eleitoral

segunda-feira, 29 de setembro de 2014 14:15 BRT
 

Por Bruno Federowski

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar chegou a disparar mais de 2 por cento sobre o real na manhã desta segunda-feira, atingindo o maior patamar desde o final de 2008, com o mercado reagindo à recuperação da presidente Dilma Rousseff (PT) na corrida pela reeleição apontada pela última pesquisa Datafolha.

Ao fim da manhã, a moeda norte-americana perdia um pouco do ímpeto pois exportadores aproveitavam as cotações altas para vender dólares. Além disso, alguns especulavam que o Banco Central poderia aumentar a intervenção no câmbio.

Às 14h14, o dólar subia 1,36 por cento, a 2,4489 reais na venda, após atingir 2,4792 reais na máxima da sessão, maior nível intrada desde 10 de dezembro de 2008 (2,5100 reais). Segundo dados da BM&F, o giro financeiro estava em torno de 300 milhões de dólares.

"O mercado entrou com todas as fichas numa vitória da oposição e pagou para ver. O que a gente está vendo hoje é a reversão desse movimento", disse o gerente de câmbio da corretora Treviso, Reginaldo Galhardo.

Segundo o levantamento do Datafolha divulgado após o fechamento dos mercados na sexta-feira, Dilma praticamente dobrou sua vantagem contra Marina Silva (PSB) nas intenções de voto para o primeiro turno e passou a ter vantagem numérica sobre a ex-senadora em simulação de segundo turno. A presidente é alvo de críticas nos mercados financeiros, que desaprovam sua condução da política econômica. [nL2N0RR2ST]

"Se isso se confirmar (avanço de Dilma) nas próximas pesquisas, o céu é o limite para o dólar", afirmou o gerente de câmbio da corretora Fair, Mário Battistel, para quem a moeda norte-americana pode ir acima de 2,50 reais no curto prazo.

O movimento desta sessão também era turbinado pela decepção do mercado após não se confirmarem boatos de que uma revista semanal publicaria reportagem sobre novo escândalo desfavorável à reeleição de Dilma. Na sexta-feira, essa especulação levou a moeda norte-americana a fechar em queda ante o real, descolada do exterior. [nE6N0R502Q]

O cenário externo também impulsionava o dólar nesta manhã. Investidores evitavam comprar ativos de maior risco por cautela antes da divulgação do relatório de emprego dos Estados Unidos na sexta-feira, levando a divisa norte-americana a subir contra moedas emergentes, como as do Chile e do México.   Continuação...

 
Mulher conta dólares em casa de câmbio de Yangon. 23/05/2013. REUTERS/Soe Zeya Tun