ENTREVISTA-Após captar US$190 mi, usina de cana Coruripe dá receita de sobrevivência

segunda-feira, 29 de setembro de 2014 18:08 BRT
 

Por Roberto Samora

SÃO PAULO (Reuters) - A Usina Coruripe, que está entre os dez maiores produtores de açúcar e etanol do Brasil, vive uma situação quase que sui generis no país. Ou "sobrevive", como prefere dizer o seu presidente, Jucelino Sousa.

A Coruripe, cuja unidade matriz é maior produtora de etanol e açúcar do Nordeste, contando também com outras quatro usinas no oeste de Minas Gerais, difere de boa parte de seus concorrentes no Brasil, sufocados com preços baixos de seus produtos, custos crescentes e quebras de safra de cana.

Após ampliar por dois seguidos anos a moagem de cana --atingindo recentemente sua capacidade total instalada de 13,5 milhões de toneladas-- e elevar o faturamento em 10 por cento ante o ano anterior, para 1,6 bilhão de reais na última safra, a Coruripe conseguiu em meados de setembro captar 190 milhões de dólares em uma operação sindicalizada de financiamento a exportações coordenada pelo Rabobank.

"Nenhuma empresa do segmento, por mais estruturada financeiramente que esteja, consegue passar incólume por esse cenário que já dura quatro anos de preços deprimidos...", afirmou Sousa, à Reuters.

"Talvez tenhamos um pouco mais de resiliência devido a alguns fatores, que, da mesma forma, são percebidos em alguns poucos grupos que também estão conseguindo sobreviver. Veja bem que digo sobreviver, pois ninguém está crescendo no setor", acrescentou ele, em entrevista por email.

Entre os fatores chave para o desempenho da Coruripe, o executivo destaca a existência de receitas advindas da cogeração de energia, a perseverança quanto aos investimentos na manutenção do canavial, elevando a sua produtividade, a utilização plena da capacidade instalada e uma rígida disciplina orçamentária para controlar custos.

"Obviamente, um histórico irrepreensível de crédito é fundamental", completou Sousa, ressaltando que a empresa conseguiu o refinanciamento de suas necessidades para a safra 2014/15 antes mesmo do início da safra no Nordeste.

Essa condição se sobressai em um setor, que, de 2008 a 2013, registrou o fechamento de mais de 70 usinas no Brasil, segundo a União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), tendo como uma de suas principais dificuldades a impossibilidade das companhias de repassar custos de produção ao etanol, com o controle dos valores da gasolina pelo governo, que acaba atuando como um teto para a cotação do biocombustível.   Continuação...