Leilão A-1 deve resolver parte da descontratação das distribuidoras no começo de 2015

terça-feira, 30 de setembro de 2014 13:32 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - O leilão A-1 deve cobrir parte da necessidade das distribuidoras de energia para o primeiro semestre de 2015, mas elas podem enfrentar sobrecontratação na segunda metade do ano que vem, disse o presidente da Associação Brasileira das Distribuidoras de Energia Elétrica (Abradee), Nelson Fonseca Leite.

A descontratação no primeiro semestre não preocupa, segundo ele, assim como a sobrecontratação no segundo semestre, que deve ficar próxima do limite de 5 por cento permitido para que o risco não seja das distribuidoras.

As distribuidoras terão que contratar cerca de 4 mil megawatts médios de energia elétrica para o início de 2015, e evitar ficarem expostas a gastos no mercado de curto prazo de energia. No entanto, esse volume de contratação é necessário apenas para o primeiro semestre, já que na segunda metade do ano ficam disponíveis outros cerca de 4 mil MW médios de concessões de geração que vencem em junho.

"Acho que com algum nível de sobrecontratação a gente vai conviver, e ela não é maléfica. Até 5 por cento, ela é admitida como exposição involuntária da distribuidora”, disse Fonseca Leite, a jornalistas, afirmando esperar que a sobrecontratação no segundo semestre de 2015 fique próxima desse limite.

Um leilão de energia A-1 para cobrir a descontratação das distribuidoras está estimado para ocorrer em dezembro, segundo a Abradee. Mas esse tipo de leilão contrata volume de energia para o ano todo, embora as distribuidoras, na prática, só precisem de energia adicional para o primeiro semestre.

O executivo disse, após participar de evento da Amcham, que não é certo que as distribuidoras conseguirão contratar toda a energia para cobrir a descontratação no primeiro semestre de 2015. Isso porque o preço de energia de curto prazo está muito alto e as geradoras com sobras tendem a preferir vender nesse mercado a fechar preço mais baixo em um leilão de prazo maior, como o A-1, conforme já ocorreu no passado.

"Se fizerem um leilão A-1 de 4 mil MW médios, será que vamos ter a contratação dos 4 mil MW médios? Eu acho que vai ter um meio termo", disse.

Fonseca Leite ressaltou que, independe de quanto as empresas contratem no leilão, é importante ele acontecer. "Não pode deixar de realizar; qualquer nível de contratação é importante".

(Por Anna Flavia Rochas)