Mesmo com Refis e dividendos, receita do governo central cai 6,4% em agosto

terça-feira, 30 de setembro de 2014 18:19 BRT
 

Por Luciana Otoni

BRASÍLIA (Reuters) - Mesmo com o reforço de dividendos e de receitas extras com a renegociação de dívidas tributárias, a receita líquida do governo central recuou em agosto ante julho, num quadro fiscal agravado pelo aumento dos gastos públicos com o custeio da máquina e benefícios trabalhistas.

Em agosto, conforme dados apresentados pelo Tesouro Nacional nesta terça-feira, as receitas líquidas do governo central, composto pelo Tesouro, Previdência Social e Banco Central, somaram 82,5 bilhões de reais, queda de 6,4 por cento ante julho, numa retração provocada pelo efeito da economia fraca no recolhimento de impostos e impacto de renúncias tributárias.

"Está sendo um ano difícil", disse o secretário do Tesouro, Arno Augustin.

A receita líquida caiu mesmo com o ingresso no caixa do governo de 5,4 bilhões de reais em dividendos pagos pelo BNDES e pela Caixa Econômica Federal e pelo recebimento de 7,13 bilhões de reais do parcelamento de débitos tributários (Refis).

Um dos fatores para a queda na receita foi o aumento de 32,7 por cento nas transferências para Estados e municípios, que somaram 17,4 bilhões de reais em agosto. O acréscimo ocorreu, segundo o Tesouro, pelo repasse sazonal de 2,2 bilhões de reais referentes à exploração de petróleo e gás natural.

No outro lado do balanço das contas públicas, as despesas totais subiram 2,9 por cento em agosto para 92,9 bilhões de reais. Os gastos foram inflados pelo aumento de 108 por cento nos repasses para o Fundo do Amparo ao Tabalhador (FAT), que arca com o abono salarial e seguro desemprego, e por despesas de custeio da máquina pública, que subiram 6,8 por cento. Os gastos da Previdência também subiram 6 por cento, para 33,7 bilhões de reais, por conta do pagamento da primeira parcela natalina.

DÉFICIT RECORDE   Continuação...