Leilão 4G rende menos que o esperado, Claro, TIM e Vivo compram licenças nacionais

terça-feira, 30 de setembro de 2014 20:27 BRT
 

Por Leonardo Goy

BRASÍLIA (Reuters) - As três maiores operadoras de telefonia móvel do Brasil arremataram nesta terça-feira frequências de 700 MHz para oferta de serviços de quarta geração (4G), num leilão que rendeu bem menos que o esperado para os cofres públicos e não teve competição.

Claro, do grupo mexicano América Móvil, e TIM Participações, da Telecom Italia, ficaram com os lotes 1 e 2, respectivamente, oferecendo cada uma 1,947 bilhão de reais pelas licenças, com apenas 1 por cento de ágio. A Telefônica Brasil, da espanhola Telefónica, e que opera sob a marca Vivo no país, pagará o lance mínimo de 1,928 bilhão de reais pelo lote 3.

A operadora regional Algar Telecom, que poderia elevar seu status para se tornar uma companhia nacional, optou por fazer oferta apenas pelo lote 5 de frequências em sua área de atuação, com proposta de 29,6 milhões de reais, praticamente o mínimo previsto no edital da disputa.

Com apenas quatro empresas no leilão, dois dos seis lotes oferecidos não atraíram interessados. Um abrange o território nacional com exceção das áreas de cobertura das operadoras Algar e Sercomtel. O outro é regional. Os preços mínimos desses lotes eram de quase 1,9 bilhão e de 5,3 milhões de reais, nesta ordem.

A ausência da Oi, que enfrenta dificuldades com a união com a Portugal Telecom, e da Nextel, cujo controlador NII Holdings pediu concordata nos Estados Unidos, fez com que praticamente não houvesse concorrência no leilão, disseram especialistas no setor. O fato foi também agravado pela falta de participantes estrangeiros, possibilidade que vinha sendo mencionada pelo governo federal.

Segundo Dane Avanzi, vice-presidente da Associação das Empresas de Radiocomunicação do Brasil (Aerbras), as companhias que não participaram do certame podem ter menos vantagens competitivas frente aos concorrentes no mercado de 4G.

"Quem garantiu o 700 MHz saiu na frente porque é a tecnologia mais adequada para o ambiente 4G, com menos infraestrutura, é possível cobrir áreas maiores e atender mais assinantes", declarou.

O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, afirmou que o leilão desta terça-feira "foi um sucesso" e que as frequências não vendidas poderão ser alvo de novo certame a ser realizado pelo governo federal. Mas ele não confirmou se essas faixas poderão integrar conjunto de sobras de frequências a serem vendidas pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) no ano que vem.   Continuação...