Alta do dólar e setor aéreo afetado por Ebola no exterior atingem ação da Gol

quarta-feira, 1 de outubro de 2014 13:06 BRT
 

Por Priscila Jordão

SÃO PAULO (Reuters) - As ações da Gol perdiam mais de 4 por cento nesta quarta-feira, atingidas por preocupações com o impacto de um dólar mais valorizado ante o real e em meio à queda de papéis de companhias aéreas no exterior, com a confirmação de que o primeiro caso de Ebola foi diagnosticado nos Estados Unidos.

As ações da Gol despencavam 4,9 por cento às 12h33 na Bovespa e os ADRs da empresa recuavam 5,6 por cento. Enquanto isso, nos EUA, Delta Air Lines perdia 3,26 por cento, Southwest Airlines caía 2,99 por cento e American Airlines recuava 3,18 por cento.

No mesmo horário, o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, recuava 1,5 por cento. No Chile, os papéis da Latam, formada pela chilena LAN e a brasileira TAM, tinham baixa de 1,39 por cento.

O avanço do dólar, que fechou setembro com sua maior alta mensal em três anos, pesava sobre os papéis da Gol, uma vez que a empresa tem custos importantes em dólar, como o do combustível, e menor proporção de receitas na moeda norte-americana.

Além disso, autoridades de saúde dos EUA afirmaram na terça-feira que foi diagnosticado no país o primeiro paciente infectado com o vírus Ebola, em um novo sinal de como o surto que assola a África Ocidental pode se espalhar globalmente.

O Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA confirmou o diagnóstico, sem dar mais detalhes, levantando preocupações de que a doença possa restringir o tráfego aéreo.

Segundo participantes do mercado no Brasil, a aversão ao risco no setor aéreo no exterior contribuía para a queda da ação da Gol na Bovespa. "A ação acaba indo junto com um movimento global de cautela com as ações de empresas aéreas", disse o analista Luis Gustavo Pereira, da Guide Investimentos.

Especialistas afirmaram, no entanto, que o impacto da doença sobre as ações da Gol é limitado. "Um surto de Ebola diminui o número de voos e é pior para todo o setor, mas a Gol tem exposição baixa a voos internacionais", disse o economista da Elite Corretora Hersz Ferman.   Continuação...