October 1, 2014 / 7:14 PM / 3 years ago

Brasil tem déficit comercial de US$939 mi em setembro; saldo no ano fica negativo

4 Min, DE LEITURA

As exportações de automóveis do Brasil recuaram 52,6 por cento em setembro na comparação com igual etapa em 2013.Paulo Whitaker (BRAZIL - Tags: TRANSPORT BUSINESS)

BRASÍLIA (Reuters) - A balança comercial brasileira registrou déficit de 939 milhões dólares no mês passado, pior resultado para setembro desde 1998, num resultado influenciado pela queda nos embarques de todas as categorias de produtos, levando o saldo acumulado no ano a voltar ao terreno negativo.

O resultado veio pior do que a mediana das projeções de especialistas consultados pela Reuters, de déficit de 650 milhões de dólares no mês, com 16 estimativas variando entre um superávit de 600 milhões de dólares e déficit de 1,1 bilhão de dólares.

De acordo com dados apresentados nesta quarta-feira pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, as exportações somaram 19,617 bilhões de dólares em setembro, queda de 10,2 por cento em relação a igual mês do ano passado pela média diária e de 8,5 por cento ante agosto.

Ante setembro do ano passado, recuaram as exportações de básicos (-15,1%), manufaturados (-8,0%) e semimanufaturados (-2,9%), num movimento influenciado pela desvalorização de commodities e queda de 39,7 por cento nos embarques destinados à Argentina, tradicional comprador de produtos brasileiros industrializados.

Entre os itens que apresentaram os maiores recuos nos embarques constam automóveis (-52,6 por cento), veículos de carga (-34 por cento), soja em grão (-30,5 por cento), minério de ferro (-23,8 por cento), petróleo em bruto (-18,5 por cento).

Já as importações subiram 4 por cento ante setembro de 2013, pela média diária, para 20,556 bilhões de dólares -- valor recorde para meses de setembro. Ante agosto, as importações subiram 1,7 por cento.

Do lado das importações, destaque para o aumento de 49,1 por cento nas compras de combustíveis e lubrificantes, enquanto caíram as compras de bens de consumo (-4,2%), matérias-primas e intermediários (-2,7%) e bens de capital (-2,2%).

O governo está contando com o aumento da produção de petróleo no país no próximos meses para aumentar as exportações e reduzir as importações da commodity e seus derivados, reduzindo o déficit da chamada "conta petróleo", que tem prejudicado a balança comercial nos últimos anos.

"Acreditamos que nos próximos meses haverá arrefecimento nessas importações", disse o chefe do Departamento de Estatísticas do Ministério do Desenvolvimento, Roberto Dantas, a jornalistas.

A conta petróleo está deficitária em 12,9 bilhões de dólares neste ano até setembro, ante saldo negativo de 16,5 bilhões de dólares em igual período do ano passado.

Volta Do déficit

Com o resultado de setembro, o saldo acumulado no ano da balança comercial voltou ao terreno negativo, com déficit de 690 milhões de dólares. No ano, as exportações somam 173,635 bilhões de dólares, queda de 1,7 por cento, enquanto as importações somam 174,325 bilhões de dólares, recuo de 2,2 por cento pela média diária ante o mesmo período de 2013.

Mesmo com a balança no vermelho, o governo ainda espera superávit comercial no ano, por conta da expectativa de melhora na conta petróleo e recuo das importações.

"Mantemos ainda a previsão de saldo positivo. Um saldo pequeno, mas positivo", disse Dantas.

O Banco Central reduziu, na semana passada, para 3 bilhões de dólares a sua previsão de superávit comercial para este ano, ante estimativa anterior 5 bilhões de dólares.

Por Luciana Otoni

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