Leilão de 4G realça perda de força do mercado brasileiro de telecomunicações

quarta-feira, 1 de outubro de 2014 19:22 BRT
 

Por Brad Haynes

SÃO PAULO (Reuters) - O leilão da frequência de 700 Mhz da tecnologia de quarta geração (4G) da telefonia móvel foi mais notado pelo que não tinha: uma das quatro maiores operadoras de telecomunicações do país e, por isso, ausência da disputa esperada pelo governo federal.

O leilão da terça-feira deu pistas sobre o futuro de um dos mercados de telecomunicações mais disputados do mundo, no momento em que uma forte desaceleração do crescimento e o aumento dos custos das novas tecnologias levaram a uma onda de negociações para fusões e aquisições.

No centro das atenções está a Oi, a operadora que esteve ausente do leilão. Com alto endividamento e o quarto lugar em fatia de mercado na telefonia móvel, a empresa já estava no centro de especulações sobre consolidação.

E ao deixar passar uma chance no mais novo leilão de 4G, a Oi deu uma confirmação tácita de que seu futuro depende de uma grande operação, seja como empresa comprada ou compradora.

No leilão, as rivais diretas Telefônica Brasil, TIM Participações e Claro, da América Móvil, fizeram ofertas totais de 5,8 bilhões de reais para comprar três licenças nacionais, praticamente o valor mínimo previsto no edital da licitação.

"A ausência da Oi no leilão aumenta a probabilidade de a operadora ter um papel ativo na consolidação de mercado, embora com seus acionistas em uma posição mais fraca de barganha", disse o analista de telecomunicações Mark Chapman, da CreditSights, em nota a clientes.

A Oi, a única operadora majoritariamente brasileira em um mercado dominado por grandes operadoras internacionais, contratou o banco BTG Pactual em agosto para estudar uma aquisição da segunda maior operadora móvel do país, a TIM. A mexicana América Móvil disse que estaria interessada em uma parceria com a Oi para realizar uma oferta conjunta pela TIM.

Mas a dívida líquida da Oi de 46 bilhões de reais, três vezes seu atual valor de mercado, tem levantado questões sobre se a empresa teria força para uma operação como essa.   Continuação...