Montadoras europeias caminham entre baixo custo e recursos avançados

quinta-feira, 2 de outubro de 2014 08:43 BRT
 

PARIS (Reuters) - As montadoras estão apostando em estilo e reciclagem na batalha pelo crescente mercado europeu de carros pequenos, acrescentando recursos de entretenimento e segurança de alta tecnologia aos veículos ao mesmo tempo em que usam estruturas automotivas mais antigas como uma maneira de manter os preços baixos.

Diversos novos carros sendo exibidos no salão do automóvel de Paris neste mês pela Opel, Citroën, Skoda e Kia são baseados em grande parte em componentes modificados usados em veículos de geração anterior ou tirados de outro modelo já em circulação, como forma de economizar dinheiro.

Analistas dizem que a estratégia faz sentido, já que consumidores europeus, atingidos pela austeridade econômica, não estão no clima de gastar dinheiro em carros grandes e caros.

O mercado para carros pequenos e com eficiência de combustível, os chamados subcompactos de segmento A, tem sido um raro destaque. Este mercado cresceu 32 por cento nos últimos 10 anos alcançando 1,12 milhão de veículos em 2013, em um momento em que o mercado para carros um pouco maiores, de segmento B, como o Ford Fiesta, caíram 33 por cento para 2,89 milhões de unidades, segundo a companhia de projeções IHS Automotive.

A empresa prevê que o segmento A crescerá mais 15 por cento até 2020.

No entanto, a concorrência está aumentando, e portanto a pressão sobre montadoras para diminuir os preços de fabricação, compartilhando cada vez mais peças entre seus modelos, está crescendo.

"Os vencedores na indústria automotiva serão aqueles que conseguirem obter economias de escala", disse Wolfgang Bernhart, sócio da empresa de consultoria Roland Berger.

Muitas das economias na fabricação estão sendo colocadas em novos recursos antes disponíveis apenas em modelos mais caros à medida que montadoras buscam se diferenciar.

O foco em novos recursos em detrimento de melhorias significativas no desempenho do motor parece se alinhar com as prioridades de motoristas europeus. Atualmente entre 50 a 60 por cento de todos os carros na União Europeia são equipados apenas com o motor mais barato, segundo a Roland Berger.