Daimler corta previsão para mercado de carros diante de oscilações na Europa

quinta-feira, 2 de outubro de 2014 09:23 BRT
 

PARIS (Reuters) - A montadora alemã de carros de luxo Daimler cortou previsão de crescimento para o mercado global de automóveis, culpando a demanda mais fraca em mercados emergentes, incluindo o Brasil, e uma queda nas vendas russas, que colocou em perigo uma recuperação ainda incipiente da indústria europeia.

Falando na abertura do salão do automóvel de Paris para a imprensa nesta quinta-feira, o presidente-executivo da Daimler, Dieter Zetsche, disse que espera agora que o mercado global de automóveis cresça de 3 a 4 por cento este ano ante uma previsão anterior de 4 a 5 por cento.

Outros executivos compartilharam sua cautela, particularmente em relação à Europa, onde uma queda nas vendas de seis anos deixou a demanda em torno de 20 por cento abaixo dos níveis pré-crise, com a estagnação econômica colocando em dúvida se essa lacuna será fechada em breve.

"Talvez vamos chegar a 13 milhões ou 13,5 milhões (de vendas de veículos na Europa). Mas o mercado não voltará (ao nível pré-crise de) 15,5 milhões, tenho certeza disso", disse Martin Winterkorn, presidente-executivo da Volkswagen, maior montadora da Europa, na véspera do salão.

O mercado de automóveis da Europa voltou a crescer este ano, embora os incentivos generalizados para compradores e regimes de subsídio governamentais em alguns países tenham tornado difícil medir a força da demanda.

Uma fonte familiarizada com o assunto disse à Reuters que as vendas de carros na Alemanha aumentaram mais de 5 por cento em setembro, se recuperando de uma queda em agosto e contribuindo para um aumento no acumulado do ano de 2,9 por cento.

Mas a demanda tem sido irregular e executivos estão particularmente preocupados com a Rússia, outrora cotada para superar a Alemanha como o maior mercado de automóveis da Europa. No país, as vendas de carros novos caíram 26 por cento em agosto na comparação anual devido a uma desaceleração da economia atingida por sanções ocidentais em função da crise na Ucrânia.

"Mais cedo neste ano, o ímpeto estava na extremidade superior das expectativas, mas está cedendo um pouco", disse o presidente-executivo da Ford Europe, Stephen Odell, a jornalistas, referindo-se ao mercado europeu mais amplo.

O presidente-executivo da BMW, Norbert Reithofer, afirmou, por sua vez, que os níveis de preços na Europa tinham melhorado, mas não tanto quanto os administradores da montadora alemã gostariam. Ele previu que levará mais de três anos para o mercado europeu retornar aos níveis pré-crise.