Restoque e Dudalina se unem para criar maior varejista de roupas de alto padrão do país

quinta-feira, 2 de outubro de 2014 16:57 BRT
 

Por Marcela Ayres

SÃO PAULO (Reuters) - A Restoque, dona das grifes Le Lis Blanc e Bo.Bô, e a camisaria Dudalina irão se unir para criar a maior varejista de roupas do Brasil para o público de alta renda, com receita anual combinada acima de 1,1 bilhão de reais.

O negócio, anunciado na manhã desta quinta-feira, reduzirá a alavancagem da Restoque e poderá ser uma porta de saída no futuro para os dois grupos de private equity que assumiram o controle da Dudalina há menos de um ano.

A operação foi bem recebida por investidores e a ação da Restoque disparava. Perto do fechamento da bolsa, o papel da empresa, que não integra o Ibovespa, avançava quase 11 por cento, a 8,98 reais, enquanto o principal referencial do mercado acionário brasileiro subia 1,5 por cento.

O valor atribuído à Dudalina foi de 1,75 bilhão de reais, mais do que o dobro do estimado no fim de 2013, quando a camisaria de capital fechado teve seu controle vendido aos grupos norte-americanos de private equity Advent International e Warburg Pincus.

Ainda assim, analistas do BTG Pactual apontaram em relatório que a Dudalina não parece cara, considerando as altas margens e a perspectiva de crescimento de cerca de 25 por cento da receita da camisaria neste ano, enquanto as vendas da Restoque deverão ficar estáveis, além de sinergias possíveis com a união.

Pelos termos da transação, 100 por cento do capital da Dudalina será incorporado pela Restoque. Os sócios da camisaria receberão 174,9 milhões de novas ações de emissão da Restoque e passarão a ter 50 por cento do seu capital.

Ao mesmo tempo, os atuais acionistas da Restoque serão diluídos. Hoje, a Waterford Participações é a maior acionista individual da Restoque, com fatia de 15,7 por cento.

Em fato relevante, a Restoque disse que "não há acordo de acionistas e que, uma vez consumada a incorporação, a Restoque permanecerá sem acionista controlador". A Restoque, questionada pela Reuters sobre o fato de os donos da Dudalina ficarem com 50 por cento da companhia após a emissão das ações, não se pronunciou imediatamente.   Continuação...