CENÁRIOS- Incerteza econômica e excesso de shoppings eleva rotatividade de lojas

quinta-feira, 2 de outubro de 2014 19:54 BRT
 

Por Juliana Schincariol e Marcela Ayres

RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO (Reuters) - As incertezas do cenário econômico e o elevado número de inaugurações de shopping centers nos últimos anos vêm aumentando a rotatividade de lojas nesses empreendimentos, com o maior impacto sendo sentido por lojistas de menor porte, dizem especialistas do setor.

Segundo a Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop), a rotatividade média nos shoppings aumentou para 10 por cento das lojas em 2014, ante taxa de 6 a 7 por cento nos últimos três a quatro anos. Na prática, isso significa que de cada 100 lojas em shoppings, 10 fecharão e darão lugar a outras durante o ano.

"Este ano estamos tendo uma movimentação muito maior de saída de lojistas dentro dos empreendimentos", disse à Reuters o presidente da associação, Nabil Sahyoun, lembrando que nos últimos três anos, incluindo 2014, o país viu a inaguração de cerca de 100 shoppings.

A associação do setor, Abrasce, prevê encerrar o ano com 521 shoppings no país. Há oito anos, eram 351.

Para Sahyoun, o fechamento de lojas também está ligado às incertezas econômicas, em um cenário de menor crescimento do consumo e com maior impacto para os pequenos lojistas, que respondem por 75 por cento dos pontos de venda nos shoppings.

Segundo dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as vendas no varejo do país em julho tiveram o pior resultado desde outubro de 2008, contribuindo para o setor não registrar crescimento por seis meses. Já em agosto, segundo dados do setor compilados por Cielo e IDV, houve alta nas vendas, compensando a fraqueza vista em julho.

"Dentro dos shoppings, a gente atingiu situação de muitos pequenos lojistas que ficaram em situação de atraso, inadimplência, porque o movimento das lojas não aconteceu", disse Sahyoun.

A situação foi enfrentada, por exemplo, por uma franqueada de uma rede de vestuário feminino em shopping da BR Malls em Juiz de Fora (MG). "Os custos são muito altos e depois (de algum tempo após a inauguração) as vendas caíram", disse a comerciante que manteve a loja por cinco anos antes de fechá-la, pedindo para não ser identificada.   Continuação...