Decisão sobre recondução de executivos da Usiminas pode sair na próxima semana, diz fonte

sexta-feira, 3 de outubro de 2014 13:32 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - Uma liminar que permite a reintegração de altos executivos afastados da Usiminas pode ser julgada até a próxima semana, disseram fontes próximas do assunto nesta sexta-feira, em meio a uma briga pelo controle da empresa entre os grupos Nippon e Ternium.

O presidente-executivo da Usiminas Julián Eguren foi destituído com mais dois executivos na semana passada, numa reunião conturbada do conselho de administração, que terminou empatada em 5 a 5 e foi desempatada pelo presidente do órgão, Paulo Penido, alinhado com o grupo Nippon.

A destituição abriu uma guerra entre os sócios e criou uma nuvem de incertezas sobre a empresa, atingida pela crise do mercado internacional de aço e fraqueza na demanda interna do Brasil. A Ternium afirma que a Nippon violou acordo de acionistas que vence em novembro de 2031 ao aprovar a demissão dos executivos e indicação de uma diretoria provisória.

Por isso, a Ternium recorreu à justiça mineira, mas um primeiro pedido de liminar para recondução dos executivos a seus postos foi recusado na última segunda-feira. A empresa então recorreu da decisão e a expectativa é que uma decisão favorável seja emitida até a próxima semana, afirmou a fonte.

As ações da Usiminas subiam forte nesta sexta-feira, um dia após a Ternium anunciar acordo para comprar a fatia que o fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, Previ, detinha em ações ordinárias da empresa. A operação foi acertada a 12 reais por papel e embute prêmio de 82 por cento sobre o fechamento de quarta-feira.

Às 13h29, a ação ordinária da Usiminas saltava 16,5 por cento, a 7,69 reais, enquanto a preferencial tinha valorização de 5,9 por cento.

Analistas consideram que a compra dos papéis adicionais mostrou que a Ternium não está disposta a sair da Usiminas, na qual ingressou no grupo de controle no final de 2011, numa operação que exigiu investimento de mais de 5 bilhões de reais.

Com isso, um eventual acordo entre Nippon e Ternium ficou mais difícil de ser alcançado, avaliaram analistas do Citigroup.

Em relatório intitulado "Uma Declaração de Guerra?", analistas do banco liderados por Alexander Hacking consideram que nenhuma das partes quer sair voluntariamente da Usiminas e a divisão do grupo de controle da empresa arrisca criar uma batalha legal de vários anos.   Continuação...