Preço da arroba do boi gordo atinge recorde na BM&FBovespa

sexta-feira, 3 de outubro de 2014 19:39 BRT
 

Por Roberto Samora

SÃO PAULO (Reuters) - O preço da arroba do boi gordo na BM&FBovespa atingiu um recorde nesta sexta-feira com influência das altas cotações no mercado físico brasileiro, diante da baixa oferta de gado pronto para o abate após seca histórica e de um problema estrutural do setor, segundo analistas.

"Tem pouca oferta de gado para ser abatido, isso puxa o mercado para cima, deixa a expectativa de novas altas", afirmou o analista da Scot Consultoria Alex Lopes, referindo-se ao recorde de alta registrado na BM&FBovespa.

O contrato futuro novembro fechou um pouco abaixo da sua máxima histórica de 134,25 reais/arroba atingida durante a sessão. Ao final dos negócios o novembro encerrou a 133,61 reais.

No mercado físico, o preço da arroba do boi gordo superou pela primeira vez o patamar de 130 reais nesta semana, no mercado paulista.

O Indicador Esalq/BM&FBovespa, que avalia preços à vista, fechou a 130,43 reais na sexta-feira, alta de 0,16 por cento ante o dia anterior, maior valor nominal da história. Em termos reais (considerando correção da inflação pelo IGP-DI), o recorde da arroba bovina no Estado é de 134,91 reais, observado em novembro de 2010, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

O preço do boi gordo vem tendo sustentação desde o início do ano, depois que pastos foram afetados pela severa seca, prejudicando a engorda dos animais. No acumulado do ano, houve uma alta de 13,5 por cento do indicador.

Mas a seca apenas ressaltou um problema de oferta estrutural do setor.

"Na realidade, a gente vive um problema... porque a rentabilidade da bovinocultura ficou defasada em relação a outras atividades do agronegócio, tem um gargalo de oferta estrutural, principalmente na atividade de cria. E isso amarra a oferta, mantém os preços consequentemente altos", afirmou o diretor técnico da Informa Economics FNP, José Vicente Ferraz, consultor com larga experiência no setor.   Continuação...