5 de Outubro de 2014 / às 20:14 / 3 anos atrás

Biometria para identificar eleitores causa transtornos na votação

Moradores comparecem a seção eleitoral no Rio de Janeiro (RJ). 05/10/2014Pilar Olivares

BRASÍLIA (Reuters) - O maior uso do sistema de identificação biométrica de eleitores causaram alguns transtornos e atrasos em seções de votação em diversas partes do Brasil neste domingo, mas o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) minimizou os problemas.

Houve relatos de dificuldades pulverizados em localidades como Distrito Federal, Paraíba, Goiás e no interior do Paraná, disse a jornalistas o secretário de Tecnologia da Informação do TSE, Giuseppe Janino. "Não é um problema generalizado", acrescentou.

No Distrito Federal, onde 100 por cento dos eleitores se identificam por biometria, parte dos equipamentos não captou as digitais dos eleitores.

O Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF) anunciou que estenderia a votação até depois do previsto para quem já estivesse na fila até as 17h, horário oficial de fechamento das urnas.

Segundo o TRE-DF, seriam entregues senhas aos eleitores para garantir o voto de quem já estava nas seções eleitorais. O Tribunal, porém, não fez uma estimativa sobre quanto tempo mais a votação em Brasília poderá demorar.

A biometria está sendo usada este ano em 764 municípios, onde votam cerca de 21 milhões de eleitores, o equivalente a quase 15 por cento do total do país.

O secretário de Tecnologia da Informação do TSE atribuiu os problemas a procedimentos, e não às máquinas. Ele admitiu que, apesar do treinamento dado aos mesários, "talvez tenhamos que intensificar a prática" do uso da biometria pelos eleitores.

"Não vai ter impacto no processo de fechamento das sessões, transmissão dos dados e totalização (dos votos)", assegurou ele.

PRISÕES

Até as 16h51, foram registradas 3.091 ocorrências, com ou sem prisão, de pessoas realizando práticas proibidas durante as eleições. No total, foram presos 80 candidatos e 1.129 não candidatos até esse horário.

O Rio de Janeiro é o Estado que teve mais candidatos presos: 25.

A maioria das detenções foi motivada por boca de urna, num total de 41 candidatos presos no país por esse motivo. A boca de urna também causou a prisão de 749 não candidatos.

Até as 16h18, o TSE verificou que 4.416 urnas foram substituídas no país, ou 1,02 por cento do total. Apenas duas delas foram trocadas por votação manual, uma no Espírito Santo e outra no Rio Grande do Norte.

Sobre o voto de brasileiros no exterior, o TSE informou que o processo já foi concluído em 68 países, restando outros 21 onde a eleição não terminou. O primeiro país a encerrar a votação de brasileiros foi a Nova Zelândia.

Mais cedo neste domingo, o presidente do TSE, ministro José Antonio Dias Toffoli, disse que a votação era a "mais tranquila desde a redemocratização", em 1989.

O tribunal registrou, no entanto, ocorrências isoladas de confusão em Santa Catarina e no Maranhão.

De acordo com o TSE, quatro urnas foram danificadas em São Luís, capital do Maranhão, na madrugada deste domingo e uma urna foi queimada em um incêndio em uma seção eleitoral.

Ao ser questionado sobre o incidente, Toffoli não deu detalhes, mas afirmou que as circunstâncias do acontecimento ainda serão investigadas.

"Nós temos algumas ocorrências na parte da atividade do poder policial, mas mesmo assim são ocorrências não muito significativas", avaliou Toffoli.

Já em Santa Catarina, uma viatura da Polícia Rodoviária Federal foi queimada, mas sem "relação com o processo eleitoral". A região conta com o reforço de 25 tropas das Forças Armadas para garantir a segurança.

Para o presidente do TSE, a viatura queimada em Santa Catarina não apresenta características de crime eleitoral.

"Não houve nenhum tipo de ato que seja um registro eleitoral em Santa Catarina", disse.

No Amazonas, três urnas tiveram dificuldade para chegar em locais remotos. Uma aeronave não conseguiu levantar voo no sábado por questões climáticas, atrasando a entrega nessas localidades.

Para Toffoli, todas as dificuldades registradas até o momento são "pontuais" e o que mais preocupa é a compra de votos.

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