Preço do boi seguirá sustentado apesar da oferta do confinamento, diz Assocon

terça-feira, 7 de outubro de 2014 15:22 BRT
 

Por Roberto Samora

SÃO PAULO (Reuters) - Cerca de 2,5 milhões de bovinos criados em confinamento, ou 60 por cento dos animais confinados no Brasil em 2014, chegarão ao mercado para abate nos últimos três meses do ano, mas nem essa oferta adicional será capaz de pressionar significativamente os preços da arroba do boi gordo, que se encontram em patamares recordes.

A avaliação é do gerente-executivo da Associação Nacional dos Confinadores (Assocon), Bruno de Jesus Andrade, para quem os pecuaristas vão seguir forçando novas altas, o que tende a apertar mais as margens da indústria, uma vez que não há alternativa considerável de gado de pasto para os frigoríficos neste período do ano.

O preço da arroba bovina tem batido recordes na BM&FBovespa, assim como no mercado físico, após um ano em que as pastagens foram prejudicadas pela falta histórica de chuvas no verão, afetando a engorda dos animais.

"O produtor está testando os limites de alta cada vez mais, segurando os animais... Não vejo queda nos preços por conta da oferta de animais confinados", disse Andrade em entrevista à Reuters nesta terça-feira.

Apesar de representar apenas 10 por cento dos abates do país --onde a criação é predominantemente extensiva--, o gado de confinamento entra de forma mais concentrada no mercado.

O preço no mercado físico paulista teve ligeira queda na segunda-feira, após uma máxima histórica nominal de 130,43 reais por arroba na sexta-feira, segundo Indicador Esalq/BM&FBovespa.

A cotação se aproximou da máxima de quase 135 reais de novembro de 2010 em valores corrigidos pela inflação do período.

Segundo Andrade, a queda do preço do milho, para mínimas em quatro anos no mercado interno, tem ajudado os produtores a segurar por mais tempo os animais no confinamento, visando maiores ganhos com a venda de gado mais pesado.   Continuação...