Com economia global enfraquecida, governos são instados a gastar

quinta-feira, 9 de outubro de 2014 15:01 BRT
 

Por Howard Schneider e Anna Yukhananov

WASHINGTON (Reuters) - Líderes econômicos globais estão sendo instados a se unir em torno de um plano para permitir que governos deem cabo do que fazem de melhor --gastar dinheiro-- com o objetivo de estimular a economia global, que continua lenta e em desaceleração.

O esforço vem após seis anos de combate à crise se passarem sem garantia de que a economia global tenha se firmado em bases estáveis. Mesmo a Alemanha ameaça cair em recessão, a China tem perdido fôlego e os Estados Unidos temem que a desaceleração global prejudique a recuperação norte-americana.

A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, pediu sem rodeios nesta quinta-feira que particularmente os EUA e a Alemanha abram os cofres e gastem mais em projetos de infraestrutura -- uma forte reversão da recente fixação do fundo em dívida pública e "reforma estrutural" que se provou politicamente difícil de implementar.

"É uma questão de fazê-lo, não simplesmente falar sobre isso", disse Lagarde.

Suas declarações, e a união das principais nações em torno da ideia de que os governos deveriam começar a gastar novamente para impulsionar o crescimento e criar empregos, vem em meio ao reconhecimento de que a vasta resposta dos últimos seis anos não curou o mundo da ressaca da Grande Recessão.

Economias desenvolvidas têm realizado grandes ajustes fiscais e há poucos sinais de que haverá consenso político em Washington em apoio de mais gastos, quem dirá na Alemanha, motor da zona do euro, onde a maior prioridade é entregar a promessa de um orçamento federal que esteja no azul, ou completamente equilibrado, em 2015.

Políticas monetárias historicamente expansionistas injetaram trilhões de dólares nos mercados globais, mas boa parte desse dinheiro permanece inativo como reservas bancárias ou no caixa de empresas e uma parcela muito baixa desse montante se traduziu em investimento e gastos das famílias. Comércio e reformas estruturais, alardeados como necessários para impulsionar o crescimento global, se provaram politicamente difíceis demais para fazer a diferença.

O objetivo agora é usar uma ferramenta antiquada --os cofres públicos-- para agir onde famílias, o setor privado, bancos e outros não o fizeram.   Continuação...