CENÁRIOS-Período úmido deve ter mais chuvas, mas não resolve represas de hidrelétricas

quinta-feira, 9 de outubro de 2014 16:19 BRT
 

Por Anna Flávia Rochas

SÃO PAULO (Reuters) - O período úmido 2014/2015 que inicia mais fortemente em novembro deve ter mais chuva que um ano antes no Sudeste, mas a situação das represas de hidrelétricas ainda pode ser um problema em 2015 já que as temperaturas ficarão acima da média, o que eleva o consumo de energia.

Meteorologistas consultados pela Reuters consideram que até agora os sinais são de que as chuvas no Sudeste durante o verão ficarão entre a média e um pouco abaixo da média, o que ainda deixa o setor elétrico em alerta, já que o nível das represas do Sudeste atualmente está em quase 24 por cento.

O baixo nível das represas causou uma série de desequilíbrios no setor elétrico do país. As usinas térmicas nacionais estão operando de maneira contínua há meses, o que tem impulsionado os preços da energia e obrigado o governo federal a costurar acordos de empréstimos para distribuidoras que serão pagos pelos consumidores a partir do próximo ano, podendo impactar na inflação.

Especialistas do setor elétrico têm dito que apenas um período de chuvas não será suficiente para recuperar os reservatórios das usinas a cerca de 60 por cento de armazenamento, um nível considerado confortável para o país enfrentar o próximo período de estiagem, a partir de abril de 2015.

Durante o período chuvoso já é esperado um aumento natural do consumo de energia de cerca de 5 mil a 8 mil megawatts (MW) médios, segundo o presidente da Comerc Energia, Cristopher Vlavianos, enquanto há uma redução natural na produção de energia das térmicas a bagaço de cana e usinas eólicas por fatores sazonais.

Assim, as chuvas precisam ser abundantes o bastante para encher os reservatórios das hidrelétricas ao mesmo tempo em que o uso dessas represas aumenta para atender ao consumo de energia maior, natural dessa época do ano. "Então, se não chover, a velocidade em que o nível dos reservatórios vai cair é maior que o que ocorre agora", disse Vlavianos, cuja última previsão para risco de racionamento de energia em 2015 é de 17 por cento.

RETORNO DAS CHUVAS?   Continuação...