CENÁRIOS-Fragilidade da Oi faz governo federal aceitar possível redução de competidores

quinta-feira, 9 de outubro de 2014 21:50 BRT
 

Por Alberto Alerigi Jr.

SÃO PAULO/BRASÍLIA (Reuters) -O governo federal já começou a trabalhar com o cenário de redução de quatro para três no número de grandes operadoras de telecomunicações no mercado brasileiro, diante de um quadro em que a "campeã nacional", a Oi, está fragilizada e rivais dentro e fora do país promovem um intenso movimento de consolidação da indústria.

    Segundo fontes a par do assunto ouvidas pela Reuters, a frágil situação financeira da Oi, as dificuldades na fusão com a Portugal Telecom e a perda recente de seu presidente-executivo Zeinal Bava já estão gerando preocupações dentro do governo com a instabilidade da empresa.

    Diante disso, uma venda da Oi para a TIM, ou mesmo uma fusão entre as duas, já começa a ser mencionada entre integrantes do governo federal como possível solução para garantir que a empresa faça os investimentos necessários para concorrer com as duas gigantes do setor no país, a Vivo, da espanhola Telefónica, e Claro, da mexicana América Móvil.

    "A redução do número de concorrentes não é o cenário ideal, mas pode ser que não haja outra saída. Há outros mercados, como a banda larga fixa, que exigem alto nível de investimento", disse uma fonte do governo que pediu para não ser identificada.

    Assim, a redução no número de concorrentes no mercado brasileiro poderia ser de certa forma compensado pelo aumento da capacidade de investimento da empresa resultante, segundo avaliação do governo federal.

A criação da Oi fez parte de estratégia do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a formação das chamadas "campeãs nacionais", empresas fortes o suficiente para competir com gigantes internacionais.

    Mas a saída para a crise da "campeã" da telefonia brasileira não é tão simples, uma vez que os principais acionistas da Oi travam uma guerra entre si, após o calote de cerca de 1 bilhão de euros sofrido pela Portugal Telecom e que azedou as relações entre os sócios de cada lado do Atlântico.

Além disso, as incertezas criadas pelo atual cenário eleitoral no Brasil devem fazer o destino de uma combinação Oi-TIM ser adiado para o próximo ano, disse uma fonte próxima da Oi.   Continuação...