Mantega e Fraga marcam diferenças econômicas entre PT e PSDB em "debate" na GloboNews

quinta-feira, 9 de outubro de 2014 22:07 BRT
 

Por Patricia Duarte

(Reuters) - Frente à frente pela primeira vez em público desde que o embate do segundo turno das eleições presidenciais começou, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga deixaram nesta quinta-feira bastante claras as diferenças entre PT e PSDB sobre política econômica, mas com poucas propostas concretas para o futuro.

Numa espécie de debate no programa de Míriam Leitão da GloboNews, Mantega voltou a defender a necessidade de políticas anticíclicas --com desonerações, juros subsidiados e forte atuação de bancos públicos-- em momento de crise internacional como o atual, como diz.

Por sua vez, Fraga --já anunciado pelo candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves, como futuro ministro da Fazenda em caso de vitória dos tucanos-- defendeu a necessidade de mais transparência nas contas públicas e maior participação do mercado.

"Precisamos ter um modelo que gere juros mais baixos para todo mundo, não só para quem toma dinheiro do BNDES... A economia é um pouco como a vida da gente. Se você pegar sua poupança e investir mal, comprar uma ação que vai cair preço, vai perder", argumentou Fraga.

"Com a economia é a mesma coisa, o dinheiro tem de ser bem aplicado e isso requer um modelo que regule o mercado, com certeza, mas que se alavanca em cima do mercado, usa o mercado para promover crescimento", acrescentou.

Fraga criticou ainda o uso de mecanismos fiscais pelo atual governo, que acabou abalando a confiança dos agentes econômicos, e disse que num eventual governo do PSDB, a proposta é fazer o país crescer com transparência e viabilizar uma reforma tributária profunda, sem dar detalhes de como isso seria feito.

Mantega manteve o discurso de que a economia brasileira tem sofrido com a crise internacional que, na sua avaliação, ainda existe e que começou no final de 2008, argumentando que apenas os Estados Unidos têm dado sinais de recuperação.

Ele defendeu que a resposta para colocar o Brasil numa rota de maior crescimento econômico já foi dada, como o programa de concessões de infraestrutura envolvendo aeroportos, rodovias, entre outros.   Continuação...