Contratos futuros do boi na BM&FBovespa atingem máximas com baixa oferta e seca

segunda-feira, 13 de outubro de 2014 16:26 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - Os contratos futuros da arroba do boi negociados na BM&FBovespa atingiram máximas históricas nesta segunda-feira, com a persistência do tempo seco aumentando as preocupações sobre a recuperação das pastagens, o que pode atrasar a engorda do gado criado no pasto após um ano de baixa oferta.

"Não tem boi... Não chove, está uma falta de chuva, já era para estar com pasto verde... É a pior situação em 25 anos", afirmou à Reuters o presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu, Luiz Claudio Paranhos.

O preço da arroba ficou sustentado ao longo de 2014 com uma oferta apertada de animais prontos para o abate, após uma das piores secas da história no Sudeste durante o último verão, somada a problemas estruturais do setor.

Os vencimentos outubro, novembro, dezembro e janeiro da BM&F marcaram novas máximas de contrato nesta segunda-feira, com o dezembro operando em um pico de 137,43 reais por arroba por volta das 16h15. O contrato outubro superou 135 reais.

O mercado futuro tem espelhado o físico. Os preços da arroba do boi gordo no Estado de São Paulo fecharam a semana passada com valor nominal recorde, segundo o Indicador Esalq/BM&FBovespa, que apura os preços à vista, a 131,84 reais.

Grande parte da pecuária brasileira é extensiva, o que explica o impacto da seca para a oferta de animais prontos para os frigoríficos.

Nesta época do ano, de entressafra de gado, a oferta de animais criados em confinamentos ajuda garantir o abastecimento aos frigoríficos.

Mas nem o gado confinado, cuja oferta é menor mas concentrada neste período do ano, está segurando os preços, disse Paranhos.

"Além do clima, os confinamentos não deram conta... é uma série de fatores convergentes (para a alta)", afirmou.   Continuação...