Queda do PLD ajuda distribuidoras e leilão A-1; dá sinal contrário para consumo

terça-feira, 14 de outubro de 2014 19:38 BRT
 

Por Anna Flávia Rochas e Leonardo Goy

SÃO PAULO (Reuters) - A proposta da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) de reduzir o teto do preço de energia de curto prazo (PLD) ajuda a mitigar altos gastos de distribuidoras e geradoras com esse mercado, mas dá sinal contrário para economia no mercado livre, em meio à escassez na geração hidrelétrica, dizem especialistas.

A Aneel propôs nesta terça-feira que o valor máximo do PLD para 2015 seja reduzido dos atuais 822,83 reais por megawat-hora (MWh) para 388,04 reais. Já o piso do PLD subiria dos atuais 15,62 reais para 30,26 reais por MWh. A proposta fica em audiência pública até 10 de novembro.

Se a proposta for aprovada, a queda do PLD será positiva para geradoras sem sobra contratual, que têm tido que contratar no curto prazo para suprir o déficit da geração hidrelétrica. É o caso de Tractebel e AES Tietê.

"Além disso, com um preço spot menor, as bandeiras tarifárias seriam capazes de cobrir custos extras relacionados à exposição involuntária das distribuidoras", escreveram os analistas Antonio Junqueira, João Pimentel e Julia Ozenda.

As bandeiras tarifárias começam a ser implantado no ano que vem. Com elas, os consumidores saberão na fatura se a energia estará mais cara ou mais barata no mês seguinte de acordo com as condições de geração do país. Assim, eventuais custos adicionais serão repassado mensalmente aos consumidores e, ao contrário do que ocorre hoje, distribuidoras não precisarão carregar esse peso no fluxo de caixa até o próximo reajuste tarifário anual.

Já Cemig e Cesp, geradoras que têm sobra de energia para venda, podem ter ganhos menores com a comercialização dessa energia no curto prazo com a queda de mais de 50 por cento prevista no PLD teto.

Com menores ganhos para geradoras com sobra de energia, a queda do PLD também poderia ajudar a atrair empresas a oferecer energia no leilão A-1, marcado para 5 de dezembro. Nele, as distribuidoras precisarão reduzir a descontratação de cerca de 4 mil megawatts (MW) médios no primeiro semestre de 2015, quando não terão mais recursos dos empréstimos contratados com bancos para cobrir gastos com energia de curto prazo.

Nos últimos leilões de contratação de energia de curto prazo houve dificuldade em atender a demanda das distribuidoras. As geradoras preferiram não ofertar energia nas porque era mais atrativo vender a preços altos de curto prazo, que ultrapassavam 800 reais. Ao reduzir o PLD pela metade, o governo eleva a chance de as geradoras venderem no leilão.   Continuação...