Saída de estrangeiros da Bovespa antecipa efeito de aversão a risco global

quinta-feira, 16 de outubro de 2014 18:57 BRT
 

Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO (Reuters) - A queda de 6 por cento da Bovespa nos últimos dois pregões não surpreende quem monitora atentamente o movimento de estrangeiros na bolsa paulista, que já estava alinhado ao aumento da aversão a risco global por preocupações com o crescimento mundial, com a cena eleitoral brasileira aparecendo em segundo plano.

"Há cerca de duas semanas (investidores ao redor do mundo) começaram a questionar a dinâmica de crescimento global", observou o chefe da área de renda variável para América Latina do BNP Paribas Asset Management Brasil, Frederico Tralli.

"Foi suficiente para que realizassem lucros e reduzissem exposição. E quando grande parte dos investidores resolve fazer isso ao mesmo tempo, acontece um movimento acentuado de queda nas bolsas", resumiu Tralli, lembrando que as bolsas no exterior vinham de fortes ganhos apesar da recuperação econômica lenta.

Em Wall Street, o S&P 500 alcançou em 19 de setembro cotação recorde, de 2.011 pontos, com valorização acumulada no ano superior a 9 por cento.

A mudança de humor no exterior teve início com dados mais fracos sobre crescimento na Europa, seguidos por números também um pouco animadores nos Estados Unidos, enquanto na China segue o cenário ainda desafiador para se confirmar o crescimento de 7,5 por cento estimado pelo governo. Além disso, na semana passada, o Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu sua projeção para o crescimento econômico global pela terceira vez no ano e reforçou o tom negativo.

A tal quadro somou-se a percepção de que os bancos centrais podem não atuar de forma tão agressiva, que veio ganhando força após comentários do presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, na primeira semana de outubro.

"Os investidores, nesses momentos, vendem o que têm e o que podem. O Brasil ainda é um país emergente relevante e líquido. Assim, acaba sendo profundamente afetado por este ambiente global", destacou o gestor de um fundo, minimizando algum efeito das eleições presidenciais deste mês na saída dos estrangeiros.

Após alguma entrada nos dois primeiros dias de outubro, dados da BM&FBovespa mostraram uma saída líquida de 3,5 bilhões de reais de capital externo em sete dias consecutivos a partir de 3 de outubro, um dia após os comentários de Draghi. Apenas no dia 14, a bolsa voltou a apurar ingresso líquido. Em setembro, a Bovespa havia acumulado saldo positivo de 4,22 bilhões de reais em capital externo, com saídas em apenas 4 de 22 pregões.   Continuação...