Colheita recorde dos Estados Unidos não garante bonança norte-americana

segunda-feira, 20 de outubro de 2014 14:04 BRST
 

Por Christine Stebbins e Karl Plume

CHICAGO (Reuters) - A maior safra de grãos dos Estados Unidos na história tem empurrado os preços para mínimas de quatro anos, o que geralmente significa uma bonança de vendas para o maior exportador de alimentos do mundo. Mas não nesta temporada.

Rivais tradicionais e novos concorrentes agressivos com as suas próprias grandes safras, como a Ucrânia e a Rússia, estão aproveitando a força do dólar para abocanhar uma fatia maior de um mercado que está encolhendo com importadores aumentando a própria produção.

Além disso, um entupido sistema de transporte nos EUA elevou as taxas de frete ferroviárias e fluviais, tornando-se caro levar montanhas de grãos para os portos. Isso está reduzindo valores recebidos por agricultores de exportadores.

"Nós vamos colher o produto, colocá-lo fora e as nossas exportações vão acelerar", disse Jerry Mohr, presidente da associação dos produtores de milho de Iowa, que cultiva 1.100 acres perto de Davenport, Iowa.

Mohr transporta suas colheitas a um elevador nas proximidades do rio Mississippi, onde ele é carregado em barcaças para embarque. Ele espera que os preços lá enfraqueçam nas próximas semanas, quando a enorme safra entupirá o encanamento.

"Será muito milho ao redor e nenhum lugar para ir com ele", disse ele.

Um congestionamento nos trilhos causado pelo aumento da demanda para o transporte de petróleo por via férrea fez com que taxas normalmente entre 200-300 dólares por um vagão de 100 toneladas, praticadas há pouco mais de um ano, crescessem para cerca de 5 mil dólares na safra deste ano. Os custos de balsa para o transporte em época de colheita bateram recordes em algumas áreas este ano.

"A agricultura não pagou esse preço antes", disse o analista Stephen Nicholson com o Rabobank, um grande credor ao agronegócio.   Continuação...