Novo Banco se aproxima de acordo para unidade angolana

segunda-feira, 20 de outubro de 2014 16:23 BRST
 

LISBOA (Reuters) - O português Novo Banco, que herdou os ativos não-tóxicos do ex-Banco Espírito Santo (BES), se aproximou de um acordo de resgate para a sua unidade de Angola, após o banco central do país africano ter aceitado um plano de recapitalização do negócio local.

O Novo Banco ficará com uma participação de 9,9 por cento no BES Angola (Besa), sob um acordo que prevê a conversão de alguns de seus empréstimos em capital, disse o Banco Nacional de Angola na segunda-feira.

Acionistas, bem como investidores aprovados pelas autoridades angolanas, também vão comprar cerca de 650 milhões de dólares de novas ações do Besa Angola para reforçar seu capital, disse o banco central.

O BES tinha uma participação de 56 por cento no Besa antes de ser resgatado no início de agosto. O regaste do banco português levou o Besa a passar para a administração do banco central angolano.

Portugal teve de resgatar o BES, com um montante de 4,9 bilhões de euros, e formou um bom banco, o Novo Banco, e um banco ruim que herdou as dívidas tóxicas do império de negócios da família Espirito Santo.

Cerca de 3 bilhões de euros em fundos de resgate foram reservados para cobrir a exposição do banco em Angola, onde o Besa acumulou uma carteira de crédito de risco carregada de maus empréstimos.

As medidas propostas pelo Banco Nacional de Angola sugerem que cerca de um quarto dos empréstimos de risco são recuperáveis, o que pode ser positivo para o Novo Banco, uma vez que a instituição financeira registrou como perda contábil os 3 bilhões de euros.

O banco central disse que vai converter dois empréstimos de 41,6 bilhões de kwanzas (422 milhões de dólares) cada do BES para o Besa em dois empréstimos em dólares para o Novo Banco, que serão pagos em 18 meses e em 10 anos.

Outros 3,6 bilhões de euros, principalmente empréstimos interbancários do BES para o Besa, serão transformados em capital do Besa para que o banco seja capaz de cumprir seus compromissos.

As autoridades portuguesas esperam vender o Novo Banco nos próximos meses para recuperar os empréstimos de resgate e uma certeza maior em relação ao negócio angolano pode ajudar a atrair investidores.

(Reportagem de Sergio Gonçalves e Andrei Khalip)