Ibovespa despenca 3% com cena eleitoral e reverte ganhos no mês

terça-feira, 21 de outubro de 2014 11:43 BRST
 

Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO (Reuters) - A Bovespa embarca no segundo pregão de queda nesta terça-feira, revertendo fortemente os ganhos acumulados no mês, após pesquisa do instituto Datafolha mostrar a presidente Dilma Rousseff (PT) em vantagem numérica contra Aécio Neves (PSDB) no segundo turno da corrida presidencial, embora ainda em situação de empate técnico.

Às 11h40, o Ibovespa despencava 3,36 por cento, a 52.478 pontos, pressionado principalmente pelas ações de empresas com participação estatal e bancos, que têm reagido à dinâmica eleitoral, entre elas as ações da Petrobras e do Banco do Brasil, além dos bancos privados Itaú e Bradesco. O volume financeiro no pregão alcançava cerca de 2,6 bilhões de reais.

Com o declínio nesta manhã, o principal índice da bolsa paulista passou a acumular perdas de cerca de 3 por cento em outubro, revertendo o ganho de 0,34 por cento contabilizado até a véspera. Até a semana passada, o Ibovespa chegou a acumular no mês elevação superior a 7 por cento. No ano, o índice ainda registra acréscimo de 2 por cento.

De acordo com o Datafolha, Dilma passou a 52 por cento dos votos válidos (excluindo brancos, nulos e indecisos), ante 49 por cento em levantamento anterior, enquanto Aécio foi a 48 por cento (ante 51 por cento), segundo pesquisa amplamente aguardada, divulgada na segunda-feira. Também na véspera CNT/MDA e Vox Populi mostraram Dilma com vantagem numérica.

"O mercado ficou assustado com o Datafolha e está colocando uma probabilidade elevada da Dilma ganhar. A reação negativa é porque há uma percepção de haverá mais do mesmo, de inflação em alta e baixo crescimento. Isso é ruim para as empresas. Não vendem e ainda têm os custos elevados", disse o gestor Joaquim Kokudai, da Effectus Investimentos.

Nesta terça-feira, a agenda doméstica mostrou que a prévia da inflação oficial do Brasil subiu 0,48 por cento em outubro, permanecendo acima do teto da meta em 12 meses.

Dados mostrando que a China cresceu no terceiro trimestre no ritmo mais fraco desde a crise financeira não animavam. O Produto Interno Bruto (PIB) chinês cresceu 7,3 por cento entre julho e setembro sobre o ano anterior - acima da projeção de 7,2 por cento de analistas, mas abaixo dos 7,5 por cento vistos no segundo trimestre.

Os papéis da Vale, que costumam reagir ao noticiário chinês, apuravam queda ao redor de 1 por cento.   Continuação...