Moody's rebaixa rating da Petrobras e mantém perspectiva negativa

terça-feira, 21 de outubro de 2014 22:15 BRST
 

Por Roberto Samora

SÃO PAULO (Reuters) - A agência de classificação de risco Moody's cortou nesta terça-feira os ratings da dívida da Petrobras e manteve a perspectiva negativa para a nota da estatal, citando a alta alavancagem e a dificuldade da empresa de repassar custos aos preços dos combustíveis.

Os ratings em escala global em moeda estrangeira e em moeda local da Petrobras foram rebaixados para Baa2, ante Baa1, ainda dentro do grau de investimento.

Há um ano a Moody's já havia rebaixado a classificação da empresa, citando a questão da alavancagem. Proporcionalmente à geração de caixa, a Petrobras é a petroleira com maior endividamento do mundo, disse analista de energia da Moody's para América Latina, Nymia Almeida.

A agência disse que a perspectiva negativa, que indica que a nota pode ser novamente rebaixada, considera a probabilidade de que o endividamento da empresa suba por conta dos preços internacionais do petróleo mais baixos --um recente desafio adicional para a empresa-- e da flexibilidade limitada para reduzir custos.

"Definitivamente, a parte de produção é impactada quando o preço cai, (o petróleo) é o produto de exportação, e a empresa recebe menos dólares e menos reais proporcionalmente. O problema é saber se vai (o preço do petróleo) baixar mais ...", afirmou à Reuters Nymia Almeida.

O petróleo Brent, referência global da indústria, caiu a uma mínima de cerca de quatro anos abaixo de 83 dólares o barril na semana passada, devido a demanda baixa e oferta abundante.

Os preços mais baixos do petróleo afetam negativamente a operação de produção da companhia, num momento em que a Petrobras tem elevado a sua extração e tem meta de atingir crescimento de 7,5 por cento (1 ponto para mais ou para menos) no bombeamento anual de petróleo.

A agência assinalou que, até 30 de junho, a dívida da Petrobras (Moody's ajustado) alcançou 170 bilhões de dólares, um aumento de 25 bilhões de dólares ante dezembro de 2013, principalmente como consequência do câmbio e perdas relacionadas à diferença entre os preços internacionais e locais da gasolina e diesel, além do financiamento para as despesas de capital.   Continuação...

 
Homem caminha diante da sede da Petrobras no Rio de Janeiro. Foto de 11 de abril de 2014.    REUTERS/Ricardo Moraes