Sabesp inclui segundo volume morto em nível do Sistema Cantareira

sexta-feira, 24 de outubro de 2014 13:14 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - A companhia de saneamento e abastecimento do Estado de São Paulo, Sabesp SBSP3.SA, passou a incluir a partir desta sexta-feira a segunda cota do chamado volume morto no cálculo do nível de água restante no sistema de represas Cantareira, o mais importante do Estado.

Até a véspera, o nível das represas que abastecem cerca de 9 milhões de pessoas na região metropolitana de São Paulo, além de cidades do interior paulista, era de 3 por cento, patamar que se referia apenas à primeira cota do volume morto, já que a reserva regular de água se esgotou em meados de julho.

O volume morto, ou reserva técnica na terminologia da Sabesp, refere-se à água que está mais no fundo das represas e que ficou abaixo do nível de captação das comportas, tendo que ser bombeada dos reservatórios para chegar às estações de tratamento.

Com a segunda cota do volume morto, o nível do Cantareira passou a 13,6 por cento nesta sexta-feira. Enquanto isso, o Sistema Alto Tietê, de onde a Sabesp também tem retirado água para ajudar no fornecimento do Cantareira, estava em 8 por cento. O Sistema Guarapiranga, outra importante fonte de água para a capital paulista, mostrava nível de 41,5 por cento.

A Sabesp recebeu autorização para captar o segundo volume morto em meados deste mês, em meio a uma disputa com a Justiça e a Agência Nacional de Águas (ANA), que em julho resolveu prorrogar para o fim de outubro de 2015 a outorga na gestão do Sistema Cantareira à Sabesp.

O Estado de São Paulo enfrenta em 2014 a pior crise hídrica dos últimos 80 anos, ano eleitoral em que o governador Geraldo Alckmin (PSDB) foi reeleito em primeiro turno. Temperaturas mais altas que a média do início do ano aliadas a chuvas fracas durante o período úmido não recuperaram as represas para a temporada seca, quando a pluviosidade é significativamente menor.

Apesar disso, a Sabesp, controlada pelo governo paulista, tem optado por mecanismos como captação de água de outros sistemas, descontos na conta de consumidores que economizam água e investimentos em campanhas de conscientização.

A empresa tem oficialmente sustentado desde o início do ano que racionamento de água na região metropolitana por meio de rodízio entre bairros traz riscos sanitários à população e à segurança de suas redes de tubulações.[nL2N0S31FH]

No interior do Estado, enquanto isso, várias cidades estão há meses racionando água.   Continuação...

 
Barco no meio da terra em área da represa Atibainha, em meio à prolongada seca em Nazaré Paulista, no interior de São Paulo, em 17 de outubro de 2014. A pior seca em 80 anos deixou o Sistema Cantareira, que fornece água para a região metropolitana de São Paulo, no pior nível já registrado. REUTERS/Nacho Doce