Abe defende estímulos do banco central japonês e diz que não visam enfraquecer iene

terça-feira, 11 de novembro de 2014 11:26 BRST
 

Por Leika Kihara e Tetsushi Kajimoto

PEQUIM/TÓQUIO (Reuters) - O primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, rebateu nesta terça-feira críticas de que a política monetária ultraexpansionista do Japão tem como objetivo enfraquecer o iene, à medida que a queda da moeda a uma mínima de sete meses contra o dólar semeou inquietações entre países exportadores rivais, como a Coreia do Sul.

Abe reiterou, em declarações em Pequim, que os mercados devem determinar as flutuações da taxa de câmbio, e disse que a estratégia do banco central japonês visa a acabar com a deflação e retomar o crescimento, não o enfraquecimento do iene.

"O Grupo das 20 nações reconhecem que o programa de estímulos do banco central do Japão visa a acabar com a deflação e sustentar a demanda doméstica", disse Abe em uma coletiva de imprensa em uma cúpula da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec).

As declarações de Abe surgem depois que o iene despencou para mínimas de sete anos e a bolsa Nikkei de Tóquio atingiu máximas de sete anos, por conversas de que Abe pode adiar um segundo aumento do imposto sobre vendas, programado para o ano passado.

Alguns países, como a Coreia do Sul, reclamam que o Japão está dando às suas exportadora vantagens comerciais ao enfraquecer sua moeda.

Abe disse que, no geral, um iene mais fraco beneficia exportações e companhias com operações estrangeiras.

Porém, ele afirmou que está ciente dos efeitos negativos que quedas no iene causam em empresas pequenas e regionais que sofrem com custos de importação em alta, e acrescentou que está pronto para adotar medidas para aliviar danos.

O banco central japonês lançou uma série de estímulos monetários em abril do ano passado e surpreendeu os mercados ampliando-os no mês passado, com esperanças de que o dinheiro ajudará a alcançar a meta de acelerar a inflação para 2 por cento no ano que vem.

 
Primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, durante coletiva de imprensa em Pequim. 11/11/2014. REUTERS/Petar Kujundzic