Marfrig busca melhor nível operacional para fazer frente a boi caro

quinta-feira, 13 de novembro de 2014 12:22 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - Os elevados preços da arroba do boi deverão impor desafios no quarto trimestre para a unidade de bovinos Marfrig Beef, da Marfrig no Brasil, exigindo forte redução dos custos de processamento da carne, disse nesta quinta-feira o diretor-presidente da companhia, Sérgio Rial.

"A única coisa que a gente pode fazer agora é trazer o nível operacional da empresa para liderar o mercado. É fazer a mesma coisa que se faz, a cada mês com menos", disse o executivo em conferência para analisar os resultados do terceiro trimestre.

O preço do boi no mercado brasileiro tem batido sucessivos recordes nas últimas semanas, devido à escassez de animais prontos para abate provocada por problemas estruturais do setor e pelos efeitos da seca que prejudicou pastagens ao longo deste ano.

O indicador Esalq/BM&FBovespa do boi gordo registrou o maior valor de sua história no fechamento de quarta-feira, a 143,93 reais por arroba.

A preocupação da Marfrig, segundo Rial, é não afugentar consumidores com o repasse integral da alta na matéria-prima.

"Se eu pago o gado a 150 reais (a arroba), trago para dentro, faço a mesma coisa, acrescento a indexação de inflação... e depois acredito que lá na frente consigo repassar sempre para o consumidor... Não consigo!", disse o executivo.

Outra preocupação da Marfrig é que a força do dólar frente outras moedas possa desestimular importações de carne em países como a Rússia, importante destino de produtos brasileiros, onde o rublo registra forte desvalorização ante a moeda norte-americana nos últimos meses.

"(O consumidor) vai comer suíno local", projetou Rial. "Existe hoje um realinhamento de câmbio em todo o mundo que não é tão positivo quanto as pessoas pensam."

A Marfrig aprofundou seu prejuízo no trimestre passado, comparado com o mesmo período de 2013, registrando perdas de 303,3 milhões de reais, afetado pelo aumento das despesas financeiras e impactos cambiais.

(Por Gustavo Bonato)