Com fortalecimento do dólar, JBS espera tirar proveito de ser global

quinta-feira, 13 de novembro de 2014 15:12 BRST
 

Por Roberto Samora

SÃO PAULO (Reuters) - A empresa de alimentos brasileira JBS, maior companhia global de carnes, acredita que o dólar vai continuar se valorizando frente a várias moedas no mundo, o que impactará favoravelmente os resultados da empresa, disse nesta quinta-feira o presidente da corporação, Wesley Batista, ao comentar um lucro recorde bilionário no terceiro trimestre.

Batista, filho do fundador José Batista Sobrinho, que começou a empresa a partir de um abatedouro no interior do Brasil, há aproximadamente 60 anos, explicou que hoje mais de 80 por cento da receita da JBS é dolarizada, o que permite dizer que os ganhos tendem a crescer expressivamente apenas pela conversão das vendas em dólares em reais.

"Se pegar a receita da JBS de 30 bilhões (de reais) no trimestre, calculada pelo cambio médio do trimestre de todas as operações (2,28 reais), se usar o câmbio de hoje, (a receita) teria sido de 36 ou 37 bilhões", destacou Batista, durante a apresentação dos resultados.

O dólar está se fortalecendo no mundo com expectativas de que o banco central dos EUA possa elevar as taxas de juros até meados do ano que vem, o que tornaria investimentos em território norte-americano mais atrativos.

"Então temos dito que começamos a colher os frutos da internacionalização, de ser uma companhia global", disse o executivo, cuja empresa fez sua primeira aquisição nos EUA em 2007.

Ele destacou ainda que os EUA --onde a empresa acredita ser, em receitas, a segunda maior companhia de alimentos, atrás apenas da Tyson Foods--, ficaram muito competitivos, especialmente em custo de mão de obra, enquanto os emergentes perderam competitividade.

"Produzir nos EUA hoje é barato", afirmou ele, destacando que também ajuda o fato de a economia do país estar indo "super bem".

Questionado se as exportações dos EUA não perderiam competitividade com um dólar mais forte, ele afirmou que a empresa tem a opção de se voltar para o pujante mercado interno dos EUA.   Continuação...