Petrobras adia divulgação de resultado do 3º trimestre por denúncias

quinta-feira, 13 de novembro de 2014 22:52 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - A Petrobras anunciou nesta quinta-feira que vai atrasar a divulgação de seus resultados do terceiro trimestre, cujo o prazo expira nesta sexta-feira, para aprofundar as investigações referentes as denúncias de corrupção feitas pelo ex-diretor de Abastecimento na operação Lava Jato da Polícia Federal.

A estatal "estima" divulgar as informações contábeis no dia 12 de dezembro de 2014. Caso não consiga apresentar os dados até o fim do ano, a empresa pode incorrer na violação dos termos de emissão de seus títulos no exterior.

Segundo exigências das emissões de dívida da estatal com vencimentos entre 2016 e 2043, a empresa tem que apresentar seu resultado até 90 dias depois do final de cada trimestre.

"A companhia não está pronta para divulgar as demonstrações contábeis referentes ao terceiro trimestre de 2014 nesta data", afirmou a Petrobras em comunicado ao mercado, após o fechamento do pregão na Bovespa.

A estatal afirmou que o adiamento ocorreu por necessidade de mais tempo para que empresas de auditorias contratadas para analisar as denúncias do ex-diretor Paulo Roberto Costa possam aprofundar as investigações, fazer os ajustes possíveis nas demonstrações financeiras e avaliar a necessidade de melhorias nos controles internos.

No comunicado, a empresa afirmou que se as declarações do ex-executivo se mostrarem verdadeiras, isso poderá "impactar potencialmente as demonstrações contábeis da companhia".

A Petrobras contratou os escritórios de advocacia Trench, Rossi e Watanabe Advogados, do Brasil, e Gibson, Dunn & Crutcher, dos Estados Unidos, especializados em investigação.

A contratação dos dois escritórios foi anunciada pela empresa no final de outubro, com o objetivo de investigar desvios de recursos da companhia citados pelo ex-diretor.

Na operação Lava Jato, a Polícia Federal ouviu de Paulo Roberto Costa que grandes empresas fecharam contratos com a Petrobras durante anos com sobrepreço médio de 3 por cento, e que a maior parte do dinheiro foi repassada para PT, PP e PMDB.   Continuação...

 
A presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, durante audiência em comissão da Câmara dos Deputados, em Brasília, em abril. 30/04/2014 REUTERS/Ueslei Marcelino