Mercado vê riscos crescentes nas finanças da Petrobras com Lava Jato

sexta-feira, 14 de novembro de 2014 14:14 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - A Petrobras tem riscos financeiros crescentes com o aprofundamento das investigações da operação Lava Jato, da Política Federal, incluindo eventual necessidade de baixas contábeis envolvendo projetos com suspeitas de corrupção, o que implicaria em redução de pagamento de dividendos, apontaram analistas nesta sexta-feira.

As ações preferenciais da Petrobras caíam mais de 4 por cento nesta sexta-feira, por volta das 13h15, sob o impacto das denúncias que levaram a estatal a adiar a divulgação de seus resultados do terceiro trimestre.

Ainda nesta sexta-feira, a Polícia Federal realizava uma nova fase da operação Lava Jato, com foco em sete grandes empresas com 59 bilhões de reais em contratos com a estatal, ampliando as preocupações de investidores.

A Petrobras recentemente defendeu que não há necessidade de baixa contábil, disse a analista Lilyanna Yang, do UBS Securities, acrescentado que ela poderia ter que realizar tal movimento para a Refinaria do Nordeste (Rnest), orçada em quase 20 bilhões de dólares.

"Esperamos que a Petrobras também terá que rever riscos de 'impairment' para outros projetos (a refinaria do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro - Comperj, por exemplo)", afirmou Yang, em relatório intitulado "Baixas contábeis e mais transparência a caminho?".

O relatório do UBS também lembra que o adiamento da divulgação de resultado, cujo prazo regulamentar venceria nesta sexta-feira, ocorreu depois de notícias de que a auditora PriceWaterHouseCoppers questionou comunicados financeiros e controles internos de risco, após denúncias do ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa.

Para o analista Leonardo Alves, da Votorantim Corretora, o adiamento da divulgação do resultado coloca a credibilidade da companhia em xeque.

"A perda de credibilidade pode ter um maior impacto nas percepções dos investidores estrangeiros (do que nos domésticos), tanto nos mercados de ações quanto nos de dívidas", afirmou.

As consequências dos problemas da Petrobras podem ser uma mudança de rating pelas agências de classificação de risco. A Moody's, a propósito, afirmou nesta sexta-feira que o atraso na publicação do resultado trimestral auditado não tem implicação no rating da companhia no curto prazo.   Continuação...

 
Pedestres passam pela sede da Petrobras no centro do Rio de Janeiro. 11/04/2014 REUTERS/Ricardo Moraes