Isabel dos Santos retira condições de OPA sobre Portugal Telecom rejeitadas por Oi

segunda-feira, 17 de novembro de 2014 11:37 BRST
 

LISBOA (Reuters) - A empresária angolana Isabel dos Santos afirmou à Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) de Portugal que vai retirar algumas condições da oferta pública de aquisição (OPA) lançada sobre a Portugal Telecom SGPS e que tinham sido rejeitadas pela Oi.

"Todas estas alterações correspondem a modificações do anúncio preliminar (de OPA) mais favoráveis para os destinatários (os acionistas da PT SGPS)", disse a Terra Peregrin, empresa de Isabel, em comunicado ao mercado.

A Terra Peregrin, porém não citou qualquer revisão no valor da oferta, apesar da cotação da ação da PT SGPS às 11h11 (horário de Brasília) ser de 1,42 euro, acima do preço proposto pela empresária.

A filha do presidente da Angola é dona da portuguesa Terra Peregrin, que em 9 de novembro lançou uma OPA geral sobre a PT SGPS, oferecendo 1,35 euro por ação. A oferta teve como objetivo manter a empresa intacta ao travar a venda dos ativos de telecomunicações portugueses da Oi.

A Oi, que detém a PT Portugal, recebeu oferta de 7,025 bilhões de euros da francesa Altice por estes ativos, e outra de 7,075 bilhões feita pelos fundos Apax e Bain. Além disso, a companhia portuguesa de correios CTT afirmou que analisará todas as oportunidades que criem valor para seus acionistas após ser citada pela imprensa no Brasil como interessada em fazer oferta.

A Oi disse em 11 de novembro que a oferta da empresária angolana era "inaceitável" uma vez que os termos propostos poderiam modificar o acordo estabelecido com a PT SGPS sobre a fusão dos dois grupos, após o calote de cerca de 900 milhões de euros da Rioforte em empréstimo concedido pela Portugal Telecom.

No entanto, nesse mesmo dia, o porta-voz de Isabel dos Santos já tinha dito que a Terra Peregrin ponderava alterar as condições da OPA que tinham sido rejeitadas pela Oi.

Estas condições visavam a suspensão temporária da fusão da Oi com a Portugal Telecom, a eliminação da limitação de direitos de voto da empresa que resultar da combinação de negócios, e o direito a comprar ações da Oi (ou da CorpCo, empresa que será criada com a fusão) fora do acordo de opções de compra definido entre a PT SGPS e a Oi.

Na fusão entre Oi e Portugal Telecom, a PT SGPS ficou apenas com participação de 25,7 por cento na Oi e os títulos não pagos pela Rioforte, uma das holdings do império da família portuguesa Espírito Santo que entrou em colapso.   Continuação...