Escândalo da Petrobras é péssima notícia para economia em 2015

terça-feira, 18 de novembro de 2014 10:32 BRST
 

(O autor é repórter sênior do Serviço Brasileiro da Reuters. As opiniões expressas são do autor do texto)

Por Aluísio Alves

SÃO PAULO, 17 Nov (Reuters) - Tão ou mais críticos do que os estragos políticos, os passivos econômicos da operação Lava Jato devem se fazer sentir nos próximos meses, à medida que o escândalo de corrupção da Petrobras (PETR4.SA: Cotações) se alastra para as maiores empreiteiras do Brasil.

Juntas, Odebrecht, Camargo Corrêa, Mendes Júnior, OAS e Queiroz Galvão, todas citadas nas investigações da Polícia Federal, são nomes frequentes em licitações de infraestutura, área vista por governo e setor privado como a tábua de salvação para o investimento, cuja participação no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro só faz cair há quatro trimestres seguidos.

Diante da gravidade das notícias, envolvendo prisões de altos executivos de algumas dessas empresas, seria ingênuo imaginar que o pacote de concessões federais de rodovias, ferrovias e portos, hoje na prateleira, não vai atrasar ainda mais.

De um lado, as empresas poderão ser alvos de potenciais constrangimentos regulatórios, já que companhias consideradas inidôneas são proibidas de participar de licitações públicas. De outro, elas próprias vão consumir bastante de seus esforços para lidar com questões, digamos, mais delicadas, especialmente nos casos das que têm altos executivos atrás das grades.

Uma amostra dos estragos potenciais de uma investigação por denúncias pode ser o caso Alstom, em que a empresa francesa foi acusada de pagar propina a vários políticos do Estado de São Paulo relativas a obras do metrô. O episódio foi apontado como um dos fatores que contribuíram para o adiamento da licitação do trem de alta velocidade, que vai ligar São Paulo e Rio de Janeiro.

Assim, mesmo que o suposto envolvimento das empreiteiras no caso Petrobras não chegue às últimas consequências, imaginar que a vida voltará ao normal com a urgência que a economia precisa parece um devaneio.   Continuação...