Parceria com Cielo pode significar fim do IPO da área de cartões do BB

quinta-feira, 20 de novembro de 2014 13:28 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - A joint venture entre Cielo e Banco do Brasil foi uma ideia que surgiu em meio às especulações de que o banco estatal poderia cindir sua área de cartões e transformá-la numa empresa independente listada em bolsa, disse nesta quinta-feira o presidente da Cielo, Rômulo Dias.

"Começamos a conversar em março, quando havia essas especulações”, disse Dias em teleconferência com jornalistas para comentar a formação da joint venture anunciada na quarta-feira à noite.

A nova empresa, que ainda depende de aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e do Banco Central para ser efetivada, é avaliada em 11,6 bilhões de reais e vai gerir os negócios com cartões de crédito e de débito do BB.

Desde o ano passado, profissionais do mercado discutiam se o BB faria com a área de cartões algo semelhante com sua área de seguros, que cindiu, criando a BB Seguridade, listada na Bovespa em 2013, o que o banco estatal negava.

Nenhum porta-voz do BB respondeu imediatamente a pedidos de comentários.

A Cielo, maior rede adquirente do país, com cerca de 54 por cento do mercado, vai aportar 8,1 bilhões de reais na operação e o financiamento será feito por meio da emissão de debêntures de 10 anos. O endividamento bruto da Cielo sai de 2,2 bilhões para 10,1 bilhões de reais.

Segundo Dias, a nova companhia não terá nenhuma receita financeira oriunda dessa emissão, já que os recursos serão repassados ao BB.

Com o aporte que será feito na joint venture, o endividamento líquido da Cielo passará do equivalente a 0,6 vez o Ebitda (na sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), para 1,6 vez em base ajustada.

Como consequência, a Cielo vai propor alteração do seu estatuto social para reduzir o dividendo mínimo de 50 para 30 por cento dos lucros para, com isso, buscar reduzir seu endividamento.   Continuação...