China está pronta para cortar juros de novo por temores de deflação, dizem fontes

segunda-feira, 24 de novembro de 2014 08:50 BRST
 

PEQUIM (Reuters) - O governo e o banco central da China estão prontos para cortar as taxas de juros novamente e também afrouxar as restrições de crédito, diante da preocupação de que a queda dos preços pode desencadear uma onda de calotes nas dívidas, falências de empresas e perda de empregos, disseram fontes envolvidas na formulação da política econômica.

O surpreendente corte de juros feito na sexta-feira, o primeiro em mais de dois anos, reflete a mudança de rumo feita por Pequim e pelo banco central, que tinham persistido com medidas de estímulo modestas antes de decidirem que um passo mais ousado de política monetária era necessário para estabilizar a segunda maior economia do mundo.

O crescimento econômico da China recuou a 7,3 por cento no terceiro trimestre e os formuladores de política temiam que caminhasse para abaixo de 7 por cento, patamar não visto desde a crise financeira global.

Os preços ao produtor, praticados na porta da fábrica, vêm caindo há quase três anos, aumentando a pressão sobre os fabricantes, e a inflação ao consumidor também está fraca.

"Os principais líderes mudaram seus pontos de vista", disse um economista sênior do governo envolvido nas discussões de políticas internas.

O economista, que não quis ser identificado, disse que o Banco do Povo da China havia mudado seu foco para estímulo de bases amplas e estava aberto para mais cortes de taxas, bem como um corte na taxa de compulsório do setor bancário, que restringe de forma eficaz o montante de capital disponível para financiar empréstimos.

A China cortou o compulsório para alguns bancos este ano, mas não anuncia uma redução para todo o setor desde maio de 2012.

"Novas reduções das taxas de juros devem estar engatilhadas, conforme entramos em um ciclo de cortes de taxa, e mais cortes de compulsórios também são prováveis", disse o economista.

 
Bandeira da China hasteada em frente ao banco central chinês, em Pequim. 16/05/2014. REUTERS/Petar Kujundzic