Indústria da construção deve estagnar em 2015, impacto da Lava Jato é visto em 2016

segunda-feira, 24 de novembro de 2014 13:36 BRST
 

Por Marcela Ayres

SÃO PAULO (Reuters) - A indústria da construção brasileira não deve crescer em 2015, previu nesta segunda-feira o Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP), citando fatores desaceleração do consumo e do crédito e prevendo que eventuais impactos da operação Lava Jato para o setor só deverão ser sentidos em 2016.

"O mercado imobiliário deverá prosseguir em fase de ajuste, a renda e o consumo das famílias deverão crescer menos e as contratações de obras relacionadas a novos investimentos deverão ocorrer com mais intensidade somente a partir do segundo semestre", disse a entidade em nota.

Essas variáveis negativas deverão ofuscar a contribuição positiva de projetos de infraestrutura para o setor, incluindo concessões e obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), além do programa de habitação popular Minha Casa Minha Vida.

Segundo o vice-presidente de economia do sindicato, Eduardo Zaidan, o impacto para as empresas que são referência da indústria com o desenrolar das investigações envolvendo denúncias de corrupção na Petrobras não deverá mudar fundamentalmente o horizonte para as obras de infraestrutura no próximo ano.

"A infraestrutura vai ter algum crescimento positivo em função do que já foi contratado em 2012, 2013, principalmente aeroportos e estradas", disse Zaidan. "Existe visão de que contratos em andamento devem continuar", completou.

Porém, na visão do presidente do Sinduscon-SP, José Romeu Ferraz Neto, alguma consequência da operação da PF poderá ser sentida no setor em 2016.

"A infraestrutura deve sofrer um pouco em 2016, mas o fato de (o caso) estar sendo investigado da forma como está é muito bom a médio e longo prazo para um saneamento do mercado", disse. "Existem no mercado muitas empresas preparadas, é oportunidade para reciclagem", acrescentou Ferraz Neto.

Segundo Zaidan, a operação da PF deve "mudar paradigma de licitação no Brasil", em referência à possibilidade de empresas menores serem contempladas em editais. "Você tem muitas empresas capacitadas a fazer pedaço de obra (...) Quem tem competência e preço tem direito de participar", completou Zaidan.   Continuação...

 
Funcionários suspensos por cordas trabalham em prédio na Avenida Paulista. 21/04/2014 REUTERS/Nacho Doce