24 de Novembro de 2014 / às 16:33 / 3 anos atrás

Uso de silos bolsa cresce no Brasil com agricultor buscando maiores lucros

Produtor rural armazena soja em silo-bolsa em cidade argentina de Estación Islas. 03/04/2010 REUTERS/Enrique Marcarian

SÃO PAULO (Reuters) - O uso de silos bolsa, uma alternativa temporária e barata de armazenagem, deverá crescer até 30 por cento no Brasil em 2015, em um momento em que os produtores acumulam os maiores estoques de milho da história e adiam ao máximo as vendas da nova safra de soja, à espera de preços melhores.

As longas bolsas plásticas brancas, em formato de linguiça, são uma visão comum na paisagem das áreas agrícolas da Argentina há décadas, onde armazenam dezenas de milhões de toneladas de soja e milho a cada safra, mas somente há poucos anos começaram a ser consideradas uma alternativa no Brasil, com produtores capitalizados dispostos a endurecer nas negociações com compradores.

Neste ano, os silos bolsa já armazenaram entre 10 milhões e 12 milhões de toneladas de grãos, principalmente milho, segundo a empresa argentina Ipesa, que domina mais de dois terços do fornecimento deste tipo de material no Brasil.

Em 2015, a projeção da Ipesa é que o sistema irá receber de 13 milhões a 15 milhões de toneladas, como uma alternativa para atenuar o déficit de armazenagem de grãos no país e dar margem aos produtores para negócios nos melhores momentos do mercado.

“O principal gargalo do agronegócio do Brasil hoje é a logística. O simples uso dos silos bolsa libera o cliente do custo do frete e com metade desse valor já consegue pagar o uso dessa tecnologia”, disse o responsável comercial da Ipesa no Brasil, Hector Daniel Malinarich, que projeta crescimento anual da ordem de 20 a 25 por cento para as vendas de empresa nos próximos anos.

A armazenagem vai se tornar um tema ainda mais central para o agronegócio brasileiro em 2015, quando o país deverá colher um recorde de até 200 milhões de toneladas de grãos. O total inclui uma safra de até 91,7 milhões de toneladas de soja e de até 78,9 milhões de toneladas de milho, segundo projeções do governo.

Um dos problemas do setor agrícola é que, quando a soja que está sendo plantada atualmente começar a ser colhida em fevereiro de 2015, haverá mais de 15 milhões de toneladas de milho de safras antigas ainda armazenadas, quase três vezes mais do que havia duas temporadas antes, em decorrência de sucessivas colheitas do cereal que superaram a demanda interna e de exportação.

Outro fator que vai colocar pressão sobre a capacidade de armazenagem do país nos próximos meses é a intenção de muitos produtores de segurar ao máximo sua produção de soja, aguardando preços melhores que os atuais. Depois de anos de boas margens, os preços da oleaginosa no mercado internacional estão cerca de 20 por cento mais baixos ante os verificados um ano atrás.

As vendas antecipadas da safra de soja fecharam outubro em 21 por cento, ante 34 por cento de outubro de 2013, segundo a AgRural, demonstrando a intenção do produtor de não vender a qualquer preço.

“O produtor está apostando em guardar essa soja. Muitos estruturaram as fazendas”, disse o analista da Informa Economics FNP, Aedson Pereira.

Além dos silos bolsa, o Brasil deverá acrescentar também 10,5 milhões de toneladas em nova capacidade de armazenagem em 2015, por meio da construção de silos tradicionais, totalizando 160 milhões de toneladas em capacidade instalada, segundo projeção da Carlos Cogo Consultoria.

ECONOMIA E LUCRO

No Brasil, os investimentos em grandes silos de metal e alvenaria ainda estão concentrados em grandes fazendas empresariais, tradings e cerealistas.

É de praxe que o produtor que não tem nenhuma capacidade de armazenagem em sua fazenda envie os grãos para os armazéns de cooperativas e tradings imediatamente após a colheita.

Mas, segundo especialistas ouvidos pela Reuters, segurar o produto por alguns meses na propriedade gera ganhos que ultrapassam os custos do investimento com armazenagem.

“Como alternativa de armazenagem, o silo bolsa é uma baita oportunidade”, atesta o diretor técnico da Aprosoja MT, Nery Ribas, da associação que reúne produtores de soja e milho em Mato Grosso.

O produtor pode obter cerca de 10 por cento mais pela soja se estiver de posse do produto na hora da venda (o chamado mercado de lotes), em comparação com o preço recebido ao fechar negócio (a preço de “balcão”) com o dono do armazém em que ele tenha eventualmente depositado os grãos logo após a colheita, segundo operadores.

Segundo a Carlos Cogo Consultoria, um produtor teria um ganho líquido de 25 mil a 40 mil reais ao armazenar 24 mil sacas de 60 kg de soja em silos bolsa, já descontados todos os desembolsos (110 mil reais) com equipamentos e com as bolsas, que só podem ser utilizadas uma vez.

Construir um silo de metal para 24 mil sacas custa cerca de 700 mil reais. A médio e longo prazo, torna-se um investimento com melhor retorno, mas não se caracteriza como uma alternativa rápida, devido ao tempo de execução da obra.

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