Uso de silos bolsa cresce no Brasil com agricultor buscando maiores lucros

segunda-feira, 24 de novembro de 2014 14:54 BRST
 

Por Gustavo Bonato

SÃO PAULO (Reuters) - O uso de silos bolsa, uma alternativa temporária e barata de armazenagem, deverá crescer até 30 por cento no Brasil em 2015, em um momento em que os produtores acumulam os maiores estoques de milho da história e adiam ao máximo as vendas da nova safra de soja, à espera de preços melhores.

As longas bolsas plásticas brancas, em formato de linguiça, são uma visão comum na paisagem das áreas agrícolas da Argentina há décadas, onde armazenam dezenas de milhões de toneladas de soja e milho a cada safra, mas somente há poucos anos começaram a ser consideradas uma alternativa no Brasil, com produtores capitalizados dispostos a endurecer nas negociações com compradores.

Neste ano, os silos bolsa já armazenaram entre 10 milhões e 12 milhões de toneladas de grãos, principalmente milho, segundo a empresa argentina Ipesa, que domina mais de dois terços do fornecimento deste tipo de material no Brasil.

Em 2015, a projeção da Ipesa é que o sistema irá receber de 13 milhões a 15 milhões de toneladas, como uma alternativa para atenuar o déficit de armazenagem de grãos no país e dar margem aos produtores para negócios nos melhores momentos do mercado.

"O principal gargalo do agronegócio do Brasil hoje é a logística. O simples uso dos silos bolsa libera o cliente do custo do frete e com metade desse valor já consegue pagar o uso dessa tecnologia", disse o responsável comercial da Ipesa no Brasil, Hector Daniel Malinarich, que projeta crescimento anual da ordem de 20 a 25 por cento para as vendas de empresa nos próximos anos.

A armazenagem vai se tornar um tema ainda mais central para o agronegócio brasileiro em 2015, quando o país deverá colher um recorde de até 200 milhões de toneladas de grãos. O total inclui uma safra de até 91,7 milhões de toneladas de soja e de até 78,9 milhões de toneladas de milho, segundo projeções do governo.

Um dos problemas do setor agrícola é que, quando a soja que está sendo plantada atualmente começar a ser colhida em fevereiro de 2015, haverá mais de 15 milhões de toneladas de milho de safras antigas ainda armazenadas, quase três vezes mais do que havia duas temporadas antes, em decorrência de sucessivas colheitas do cereal que superaram a demanda interna e de exportação.

Outro fator que vai colocar pressão sobre a capacidade de armazenagem do país nos próximos meses é a intenção de muitos produtores de segurar ao máximo sua produção de soja, aguardando preços melhores que os atuais. Depois de anos de boas margens, os preços da oleaginosa no mercado internacional estão cerca de 20 por cento mais baixos ante os verificados um ano atrás.   Continuação...

 
Produtor rural armazena soja em silo-bolsa em cidade argentina de Estación Islas. 03/04/2010 REUTERS/Enrique Marcarian